Colecionadores

(...) "colecionar poderia ser considerado apenas como uma forma de entretenimento, um simples " hobby ". Mas, uma análise mais atenta, logo demonstra tratar-se de uma atividade mais profunda e importante : o colecionismo, além da idéia básica de entretenimento, é uma arte e uma ciência e desenvolve o aprendizado, sendo uma atividade cultural por excelência."

Autor e fonte: Geraldo de Andrade Ribeiro Jr.

*O conteúdo é de responsabilidade exclusiva das fontes citadas.

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Colecionismo Cervejeiro - a paixão de Walter Enio Steinhaus

O ato de colecionar já vem desde a Roma antiga e o Egito. O faraó Tutancâmon já mantinha uma coleção de cerâmicas finas. A nobreza na Idade Média reunia em seus castelos o seu acervo de armas, armaduras, tapetes e outros objetos coletados em viagens ou mesmo pilhagens.

O historiador alemão Philipp Blom descreve em seu livro To Have And To Hold (“Ter e Manter”) uma legião de colecionadores e seus tesouros de tempos medievais até o presente, desde um gabinete contendo chifres de unicórnio, passando pelo lendário castelo de William Randolph Hearst e a arte macabra do embalsamador Dr. Frederick Ruysch, até colecionadores que estocam invólucros de comida e copos de plástico.

Atualmente as coleções são as mais variadas: desde as clássicas coleções de selos, moedas, livros, brinquedos, papéis de carta, modelos em miniatura (de navios, aviões, carros); até as de objetos mais triviais como embalagens de papel/papelão, embalagens plásticas ou mesmo de tampinhas e rolhas de garrafas.

As coleções mais especializadas, como por exemplo, aquelas voltadas para a área de bebidas, englobam garrafas, latas, rolhas, rótulos, descanso de copos, copos, barris, entre outros itens.

Entre esses colecionadores destaca-se Walter Enio Steinhaus, morador de Santa Cruz do Sul – RS, que iniciou a sua coleção há mais de 20 anos.

Confira abaixo na entrevista exclusiva concedida ao Portal Cervesia® em fevereiro de 2017:

Cervesia: Conte-nos um pouco de sua história.

Resultado de uma brassagem com os amigos

Walter: “Sou Walter Enio Steinhaus, 58 anos, brasileiro, casado e tenho duas filhas (Maria Augusta e Natália), resido atualmente em Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. Minha atividade profissional foi baseada na área comercial (vendas) em uma empresa de embutidos, exercendo a gestão de vendas para 

determinadas áreas do Rio Grande do Sul e todo estado de Santa Catarina até me aposentar.

Sou uma pessoa de fazer amigos facilmente, extrovertido, sempre ligado ao dia a dia. Pelo meu hobby do colecionismo cervejeiro, tenho as redes sociais e todos os outros canais de comunicação ao meu lado e alcance. Consigo me comunicar com o mundo cervejeiro também em inglês e espanhol (claro, não fluentemente, mas o suficiente para meus contatos). 

Nas horas vagas ainda sobra um tempinho para fazer algumas brassagens junto com outros três amigos, para o nosso consumo mesmo, com o sistema chamado de “paneleiro” (cervejeiro caseiro), sem marca e rotulagem. Fizemos algumas cervejas do tipo Irish Red, Pale Ale, Weiss, Stout e IPA”.

Resultado de uma brassagem com os amigos

Cervesia: O que o levou a começar a coleção?

Walter: “Meus compadres Claudio e Celita fizeram uma viagem à Cancún e no retorno me trouxeram uma lata da Dos Equis (cerveja mexicana), que achei bonita. Degustei a cerveja e depois guardei a lata. 

No mesmo final de ano, época de Natal, fui convidado para a ceia de Natal na casa dos amigos Luiz Fernando e Haydee Zanini, onde ganhei um estojo contendo um conjunto de 3 latas de Budweiser e 2 latas de Heineken de presente. Fiz a mesma coisa, achei bonita, degustei e depois guardei as latas. Foi aí que tudo começou”.

“No período de verão, faltava muita cerveja e a que tinha era vendida com preço inflacionado. Aí veio o boom das cervejas importadas para suprir esta demanda. Então ficou fácil, era ir nos pontos de vendas, ver o que não tinha e comprar. Isso foi em 1993” relata Walter. 

Walter e parte de sua coleção de garrafas de cerveja

Cervesia: De que se constitui a coleção? Qual o número de peças?

Walter: “A minha coleção é composta com dados atualizados nesta data. No total são 12.643 exemplares, divididos como exposto a seguir:

- Latas: 2.674 exemplares

- Garrafas de vidro: 846 exemplares

- Garrafas PET: 2 exemplares

- Garrafas de alumínio: 25 exemplares

- Barris: 18 exemplares

- Growler's: 04 exemplares

- Rótulos: 9.074 exemplares

Toda a coleção encontra-se exposta em prateleiras com vidro, uma pequena parte em cima de um balcão expositor e os rótulos em álbuns e/ou pastas separados por países”.

“Também guardo reportagens sobre minha coleção que saiu nos Jornais Gazeta do Sul e Riovale, jornal aqui da cidade. Bem como o vídeo com uma reportagem veiculada no programa Notícias UNISC-TV, inserido 2 vezes ao dia, durante uma semana, neste canal de televisão” explica Walter.

Coleção de rótulos de diversas cervejarias

 

Cervesia: Como organiza as peças?

Walter: “A organização se dá como descrito anteriormente. Porém, como demanda grandes espaços pelo tamanho da coleção, com tendência a aumentar dia após dia, preciso fazer sempre adaptações.

Mas isso faz com que você esteja sempre por dentro de tudo da sua coleção, sem esquecer nada, detalhes, particularidades etc”. E detalha: “Por duas vezes a cada ano, retiro tudo das prateleiras, passo uma escova e tiro o pó, limpo os vidros (esta parte de vidros é feita com a ajuda de minha esposa Juraci). E depois, recoloco tudo nos lugares novamente”.

Cervesia: Possui alguma peça que se destaque das demais? Porque?

Walter: “Para o colecionador, todos os exemplares que tem na coleção, tem e merecem um destaque em especial e isso se dá por vários motivos ou situações. Veja pela minha coleção:

- Os exemplares que deram origem à coleção;

- Os exemplares que ganho em eventos, concursos ou leilões;

- Os exemplares encontrados em lugares peculiares. Ex.: lixo, à beira de estradas, guardados em sótãos ou embaixo de casas;

- Os exemplares doados pelos mais diversos amigos e até pessoas que ainda não conhecia e, se tornaram amigos e admiradores e/ou colaboradores habituais de minha coleção; 

 E complementa: teria muitos outros motivos ou situações, mas, como disse, tudo merece destaque”.

Cervesia: Costuma efetuar permutas, compras e vendas com frequência?

Walter: “É fascinante, porque além daquela paixão que o colecionador coloca no seu hobby, o envolvimento com contatos dos mais diversos países e das mais diversas formas me traz resultados esplendidos na aquisição de exemplares para minha coleção.

São trocas de correspondências, envio e recebimento de sedex com exemplares, informações pelas redes sociais, jornais, televisão etc.

“O Facebook, por exemplo, faz com que eu tenha contato com mais de 1.000 cervejarias, mais de 100 

colecionadores e, vários grupos de colecionadores de artigos cervejeiros. Alguns são de países como:

Alemanha, Suécia, Itália, Espanha, Rússia, Portugal, Ucrânia, Belarus, China, Japão, Nigéria, Polônia, Uruguai, Austrália, Nova Zelândia, Lituânia, Argentina, Estados Unidos, Chile, República Tcheca, Inglaterra, Canadá etc... Vou parar por aí, tem muita gente e, iria esquecer muitos amigos de vários outros países”.

E acrescenta: “Aqui no Brasil tenho recebido também muitos exemplares, mas ainda é restrito, faltam muitas cervejarias que poderiam estar expostas em minha coleção, talvez com a visibilidade da matéria junto da CERVESIA, isto possa a melhorar a participação nacional em minha coleção”. 

 

← Coleção de garrafas (Growler´s) de diversas cervejarias

 

Cervesia: Costuma participar de feiras e eventos do setor? Poderia citar algumas/alguns?

Walter: “É difícil, pois minha posição geográfica, no estado do Rio Grande do Sul, em relação aos grandes eventos do setor cervejeiro, faz com que fique inviável a minha participação (deslocamento, custos, tempo, etc). Aqui por perto participo de algumas feiras e eventos:

- Festival da Cerveja Gaúcha

- Cervale Rio Pardo

- AGAS (não é própria do segmento, mas sempre tem muitas novidades expostas também)

- Programas de visitação a micro cervejarias”

 

 

 

A visita a feiras e eventos permite ampliar a base
 de contatos com colecionadores e cervejarias

Visitas a microcervejarias ajudam a ampliar 
    os conhecimentos e
 fazer novos contatos

Cervesia: Gostaria de compartilhar conosco mais alguma informação interessante?

Walter: “Acho que as perguntas acima já mostram um pouco de toda minha paixão no colecionismo de cervejas, como tudo começou, como identifico e valorizo a coleção, intercâmbios etc...

Mas, posso dizer que se alguém estiver interessado em conhecer pessoalmente, podemos convidar para uma visita. E se alguém tiver algum(ns) item(ns) que queira colaborar com a minha coleção na forma de doação ou até mesmo uma troca (colecionadores), estou à disposição.

Tudo pode ser visto e/ou combinado em mensagem no meu Facebook ou mesmo por e-mail”.

 

Serviço:

Contato: Walter Enio Steinhaus

E-mail: wecasadepedra58@gmail.com

Empresário coleciona cerveja em latas e garrafas raras

A fachada de um imóvel comum em Bebedouro esconde um paraíso para os apreciadores da história da cerveja brasileira. Em um cômodo nos fundos da casa o empresário Carlos Quintella, 59 anos, guarda preciosidades da indústria cervejeira. Ele é o maior colecionador do Brasil: 34 mil objetos, entre latas, garrafas e abridores.

O cômodo na verdade é um pub particular. Tem balcão, geladeira, bancos e sofá. Mas o real objetivo do espaço está nas paredes, em cristaleiras e atrás do balcão: milhares de itens que mostram um pouco da bebida apreciada pelos brasileiros. As latas são guardadas lacradas, mas sem o líquido, retirado por uma abertura na parte inferior. Estão em suportes na parede, separadas por fabricante e tipo. Entre elas, raridades com uma série de latas-teste da Schincariol. "A fábrica mandou de presente para mostrar o processo de produção da lata, desde a primeira impressão até a peça final. É relíquia", explica o colecionador.

As garrafas são armazenadas com a bebida. São centenas, de diversos formatos, rótulos e sabores, entre elas a Eisenbahn Lust, a primeira do Brasil produzida pelo método champenoise, o mesmo do champagne. Uma das mais raras é da Bohemia, armazenada em garrafa de champagne, com os mesmos componentes da cerveja. Foram produzidas apenas cem para presentear autoridades.

Outro xodó da coleção é um exemplar da Coletta, de Neves Paulista. A fábrica fechou depois de 64 anos de atividade, sendo até difícil encontrar informações na internet, quiçá uma garrafa. "Um amigo, médico, trabalhava na cidade e guardou lacrada, depois me deu de presente. Teve colecionador que ficou louco quando mostrei", diz Quintella.

Rótulos

Muitos fãs também ficam abismados ao ver os rótulos da coleção. Ele tem as imagens que embalaram as primeiras cervejas brasileiras, produzidas pela Brahma, entre 1888 e 1940, e pela Antarctica, entre 1917 e 1955. "Preservo a história da cerveja. Minha coleção é referência para pesquisa, e isso é muito gratificante", afirma.

Setembro2014-Hobby-Hobby02Além dos rótulos, latas e garrafas, ele tem centenas de itens relacionados. A coleção é dedicada apenas a produtos nacionais. Entre os objetos, estão canecas, bolachas de chope, propagandas, barris, chopeira. "Não sou o maior colecionador de latas ou de garrafas, mas tenho o maior acervo de itens cervejeiros do Brasil." Curiosidade: atualmente Quintella não bebe por causa da diabete. "Tive de parar. Hoje só uma long neck de vez em quando".

Surgem a Quinty Bier e um site de vendas

Em 1981, quando ainda trabalhava no porto de Santos, Quintella ganhou três latas de cerveja de um comandante. Não imaginava que o hobby se tornaria um negócio lucrativo e que teria ainda sua própria cerveja. " Um ano depois, o presidente Collor liberou a importação e vinha lata de tudo quanto é país. Fiquei tão interessado que quando viajava de férias com a família, eles iam para a praia e eu ia para o mercado comprar lata."

Daí para colecionar itens foi um pulo. Chegou a ter 70 mil objetos, nacionais e importados. "Não tinha mais onde guardar. Então resolvi me dedicar somente às cervejas brasileiras." Para se desfazer dos objetos, Quintella criou o site 'mundodacerveja.com', hoje o segundo maior do ramo no mundo. São 17 mil itens à venda. "Quando contratei um rapaz para fazer a página, ele achou que não daria certo. Hoje, meu site é referência".

Cerveja própria

Com o tempo, sua casa virou point dos amigos. E com encontros sempre regados à cerveja. Então Quintella teve a ideia de criar o produto próprio, a Quinty Bier. Ele e o filho começaram de maneira artesanal, produzindo a bebida em kits vendidos para essa finalidade. Depois, fizeram parceria com a cervejaria Invicta, de Ribeirão Preto, para produção industrial com características de artesanal.

"Meu filho desenvolveu a fórmula em um curso de Campinas. Só que a artesanal não passa pela pasteurização, e o fermento fica vivo, portanto existe o risco de a garrafa estourar. Conseguimos a parceria com a Invicta para produzir uma quantidade que nos atenda. Não temos escala de mercado, é apenas para atender amigos, clientes e alguns restaurantes de São Paulo".

Setembro2014-Hobby-Hobby03Mais que coleção, uma terapia

"Pra mim, colecionar é terapia. Eu me sinto bem, é um prazer. Quando estou na empresa e tem algo dando errado, pego uma pasta com rótulos e começo a ver", afirma Quintella. O acervo também já lhe rendeu histórias curiosas. Uma delas é da médica que comprava rótulos importados de cerveja e bolachas de chope para ajudar no tratamento do marido. A médica, moradora de Rio Preto, entrava no site todo dia 20 para comprar. Em um domingo de dezembro do ano passado, ela teve problemas com o cartão e não conseguiu concluir a compra.

"Liguei para orientá-la a focar a coleção em determinados rótulos. Ela me disse que era médica e o marido, que era neurocirurgião, teve um AVC e precisava de coisas coloridas e diferentes que movimentassem a mente. Deram ideia de brinquedos. Mas como se tratava de pessoa adulta, ela aceitou o conselho de um funcionário do hospital e passou a comprar rótulos e bolachas de chope. Depois disso, contou que ele melhorou muito. Para mim, foi uma satisfação muito grande."

Assista a vídeo-reportagem: www.youtube.com/watch?v=zOgusU1S-c4

Fonte: Diário Web – Por Elton Rodrigues em 05/09/2014

Maior colecionador de latas de cerveja da América do Sul aposta no título do Brasil e quer guardar rótulos especiais do mundial

O esporte – especialmente o futebol – ganha cores e emoções diferentes quando "embalado" em uma lata para bebidas. São imagens que chamam a atenção nas gôndolas dos supermercados e nas mãos dos torcedores. A criatividade e o colorido dos rótulos estimulam colecionadores, que guardam em suas coleções momentos emocionantes de cada edição da Copa do Mundo de futebol. Coincidência ou não, foi justamente no ano do frustrante mundial realizado no Brasil, em 1950, que começava o acervo do maior colecionador de latas para bebidas da América Latina. Viajando pela China, Saul Jampolsky comprou a primeira lata de sua coleção. O que chamou sua atenção foi uma cerveja com rótulo vermelho e desenho de um dragão dourado. Até então, não havia no Brasil latas importadas.

Sessenta e quatro anos depois, o Brasil sedia pela segunda vez uma Copa do Mundo de futebol. E de lá para cá a coleção de Saul aumentou consideravelmente. Atualmente conta com 35 mil latas, sendo cerca de 150 delas com temas relacionados ao esporte. A mais antiga sobre Copa é do mundial do México de 1970. O curioso foi que as latas foram compradas numa viagem à Alemanha e justamente a seleção alemã não autorizou o uso da imagem de seu time nas latas. Mas há ainda embalagens da Copa da Espanha (1982), dos Estados Unidos (1994), da Copa América da Bolívia (1997), da França (1998), Copa América do Paraguai (1999), entre outras.

Natural de Santos (SP) e torcedor do alvinegro praiano, Saul aponta, claro, o Brasil como favorito. Mas sabe que há fortes concorrentes ao título: Argentina, Itália e Alemanha. E o torcedor/colecionador já está de olho nas latas especiais para esta Copa. "Já saíram as latas especiais de alguns refrigerantes, mas infelizmente ainda não tem das cervejas. Mas quando sair comprarei", prometeu.

No dia 12 de junho a seleção brasileira estreia contra a Croácia em São Paulo. Apesar de costumar assistir aos jogos do Santos no Pacaembu, Saul já adiantou que desta vez não irá assistir nenhum jogo do mundial nos estádios. "Prefiro assistir em casa com a família e amigos", revelou. E para quem tem alguma dúvida Saul deixa claro o que vai beber durante os jogos, "uma loira bem gelada".

Fonte: Notícias da Abra Lata nº 48 – 13/06/2014

Tap Handles: Quando a cerveja vira arte

Alavancas extratoras de cervejas de barril são atração nos Estados Unidos

Elas foram inventadas quase sem querer nos bares americanos no final da Lei Seca, em 1933, quando as cervejas finalmente saíram da ilegalidade. Naquela época, se você entrasse num pub e pedisse uma cerveja, corria o risco de ser servido com uma breja de má qualidade, já que não havia identificação do líquido que jorrava da torneira. Atentas ao problema, as autoridades americanas determinaram que os barmans escrevessem os nomes das cervejarias em suas respectivas torneiras. Isso levou à criação de pequenas esferas com as logomarcas de cada cervejaria, as quais eram colocadas nas alavancas de extração — os chamados tap handles.

O que no início era apenas informativo, com o tempo tornou-se marketing para as cervejarias. Elas perceberam que, quanto maiores e mais atraentes eram os tap handles, mais chamavam a atenção dos bebedores e, por conseguinte, maiores eram as vendas. Com o tempo, então, os tap handles foram se tornando cada vez mais elaborados e divertidos, sobretudo em pubs com vasta oferta de cervejas artesanais americanas.

FotoColecionador

Colecionador brasileiro tem mais de 450 tap handles

Se a moda ainda não pegou no Brasil, onde as cervejarias artesanais penam para simplesmente sobreviver por entre impostos absurdos, infraestrutura precária e falta de cultura cervejeira, um empresário de Florianópolis (SC) compensa a inexistência de tap handles nos bares com uma coleção invejável. Foi em 2009 que Alessandro João Elias, em viagem pelos Estados Unidos, adquiriu sua primeira peça e, desde então, jamais parou de colecionar as alavancas. A soma, hoje, ultrapassa as 450 peças e, segundo o catarinense, está longe de terminar.

Alessandro conta que o primeiro tap handle — da cervejaria Michelob — foi adquirido por ele pra adornar uma chopeira portátil que comprara nos Estados Unidos. A peça mais rara é uma alavanca dourada em forma de barco da Jacob Leinenkugel Brewing.

O seu preferido é o duende da Hobgoblin. E, de quebra, o empresário entrega seu sonho de consumo: Um tap handle raro da Dogfish Head cujo preço é estimado em cerca de R$ 1.500,00.

FotoColecionador

Fonte: BREJAS - Julho 2013

Bate-papo com Colecionador

FotoColecionador

Nome: Jonathan Parker

Email: jpironcan@gmail.com

País: Brasil / Rio de Janeiro

Quais Itens você coleciona?

Barril de 5 litros, itens da Kaiser (tudo de Kaiser), Latas de 500 ml, latas de ferro nacionais (cerveja e refrigerante), Coca Cola.

Quando começou a colecionar, como aconteceu?

Comeceia  colecionar  em  Fevereiro  de  1995  por conta  de um  vizinho,  Sr  Alexandre.  Eleme  falou  que  estava  colecionando,  eu  achei  interessante  e comecei junto com ele. No inicio até ganhei umas 100  latas de uma vizinha da  minha av., inclusive uma Malt 90 que foi uma das minhas primeiras latas de ferro.

Alguma história interessante ou engraçada neste período?

Não sei precisar o ano, mas aconteceu numa pescaria na Praia Vermelha juntamente com meu saudoso Pai  e mais dois amigos. Eu vi uma lata sendo trazida pelo mar e sai que nem um louco atras dela, ninguém entendeu nada. Peguei a lata e para minha felicidade não tinha ela na minha coleção, era uma Skol Rock da vida.

Qual o item que considera mais importante em sua coleção?

São dois itens, minha primeira Rioco e minha mini Kaiser, cobinadas por muitos.

O que é colecionar?

Colecionar é fazer novos amigos, é conhecer a fundo a história do que você escolheu para colecionar, no meu caso das latas e da cerveja. É ficar feliz por descobrir novos itens para a coleção e ter itens raros.

Mensagem para os novos colecionadores:

Por mais que seja difícil no inicio da coleção, você só vai perceber isso quando o seu espaço acabar, tente dar um padrão a sua coleção, não saia pegando tudo por aí. Pois chegará um dia que talvez a sua empolgação acabe por conta da falta de espaço.

Fonte: RioLatas Ano: 02 Julho 2012 Ed.: 0021 - 03/07/2012

O colecionador

Ao redor do tema cerveja formam-se várias coleções ao redor do mundo. Essas coleções abrangem os rótulos, copos e canecos, bolachas, garrafas e latas de cerveja, quadros, estatuetas, miniaturas de máquinas e equipamentos e muito mais.

Garrafas e Latas

As garrafas utilizadas para envasar cerveja geralmente são de vidro de cor âmbar, que visa proteger a cerveja dos raios de luz, tanto do sol como de luz artificial (a luz é prejudicial à vida útil da cerveja). As formas e volumes variam de país para país.

Muitas garrafas possuem tampas que podem ser fechadas novamente (rosca ou fechos de cerâmica). Algumas cervejarias (da Bélgica, por exemplo), adotam garrafas de cerâmica, com fecho do mesmo material.

As latas são geralmente fabricadas em alumínio e o volume varia entre 150 ml e 5 litros. As formas variam pouco de fabricante para fabricante, de modo que existe uma uniformização no visual.

Copos e Canecos

Cada tipo de cerveja (Pilsen, Ale, Stout, Bock, Weissbier etc) possui um tipo de copo adequado para o seu consumo. Os copos apropriados para cerveja de trigo (Weissbier) possuem capacidades de 500 ml, com corpo alto e boca larga. As cervejas Pilsen ou Lager necessitam de copos tipo tulipa, com o corpo mais largo que a boca.

Cervejas do tipo Berliner Weisse pedem copos baixos e diâmetros grandes. Essas cervejas, como possuem fermentação lática, são acrescidas de xaropes de frutas (groselha, por exemplo), de modo que fiquem mais agradáveis ao paladar.

A maioria dos copos utilizados em outros países possui uma marca de volume cerca de 30 mm abaixo da borda, de modo que os consumidores possam observar o volume neles contido.

Os canecos de cerveja são em vidro e cerâmica e alguns possuem tampas em estanho. Sua decoração pode variar da mais simples, com aplicação da logomarca da cervejaria, até copos com desenhos ou esculturas extremamente elaborados e complexos.

Bolachas

As bolachas variam em forma e tamanho e não visam apenas aparar a cerveja que transborda do copo ou a condensação da umidade. Elas representam um espaço extra para a mídia da cervejaria ou cerveja.

 

Texto por: Matthias Rembert Reinold
Mestre Cervejeiro Diplomado

Quando a embalagem é mais apreciada que o conteúdo

Não basta ser colecionador. Tem que divulgar!

Latas, garrafas, rótulos, abridores, bolachas de chopp são alguns dos itens presentes nos acervos de Carlos Alberto Tavares Coutinho, 62 anos; de Jonathan Bruce Parker, 33 anos; e de Paulo Sergio Fernandes Arêas, 56 anos, o famoso Xerife.

Tavares Coutinho afirma ser um eterno colecionador: "Já colecionei figurinhas, gibis, bolas de gude, selos, entre outros objetos". Ele destaca que a filatelia lhe ensinou a ser paciente, e o ato de colecionar está relacionado à sua paixão por história.

São inúmeras as aventuras dos três integrantes do "Rio Latas", mas com uma coisa em comum: nenhum deles bebe cerveja. Conheça um pouco dessas histórias na entrevista abaixo.

 

Da esquerda para direita: Parker, Tavares Coutinho e Xerife na sede do Rio Latas,

na cidade do Rio de Janeiro (Foto: tarcilaz)

 

Koleções: Quando e por que vocês começaram a colecionar artigos relacionados à cerveja?

Carlos Alberto Tavares Coutinho: A coleção foi iniciada pelo meu filho. Depois de um tempo, ele a deu de presente para a mãe e continua sendo dela. Eu apenas a administro.
Xerife: Eu sou colecionador desde a infância. No início, existia a troca de latas por alimentos em alguns supermercados. Trocava-se as latas e os alimentos eram doados para instituições de caridade, até que meu filho mais novo propôs que pegássemos uma de cada antes de trocá-las. E foi assim que começou a coleção, que com o tempo deu origem a outros itens como chapinhas, garrafas de Coca-Cola, copos, abridores, bolachas de chopp, garrafas de leite.
Parker: Comecei a colecionar por causa de um vizinho e eu nunca havia colecionado nada. Havia muitas latas coloridas no mercado que chamavam a atenção, e passei a achá-las interessantes. Com o tempo percebi que era melhor ter qualidade em vez de quantidade e me desfiz de 2000 latas. Comecei a selecioná-las e a estudá-las. Eu tinha cervejas e refrigerantes nacionais e importados, mas decidi focar os produzidos no Brasil. Entretanto, continuava a enfrentar problemas com falta de espaço e decidi manter apenas as cervejas, principalmente Kaiser.

Parte do acervo de abridores de Tavares Coutinho (Foto: tarcilaz)

 

Koleções: Quantos itens formam a coleção?

Carlos Alberto Tavares Coutinho: Eu sou supersticioso e uma delas é não contar o acervo. Pra mim dá azar. Podemos calcular pelas prateleiras, mas suponho que sejam mais de 4 mil.
Xerife: Acredito que eu tenha pouco mais de 70 garrafas e embalagens de leite, de creme de leite e de iogurte. Todas com variedades quanto à cor, a forma da escrita, o texto ou alguma outra informação.
Parker: Coleciono latas da Kaiser desde 1998 e possuo mais de 2500, além de bolachas de chopp. Tenho quase tudo com os mínimos detalhes de fábrica e variação do design da embalagem. As latas são semelhantes, mas possuem diferenças. Já das outras marcas possuo uma de cada.

Koleções: Como e quando foi formado o grupo Rio Latas?

Parker: A ideia surgiu de um papo informal entre mim, o Carlos e outro colecionador, o Paulo Sampaio, em setembro de 2006. O primeiro encontro foi em novembro do mesmo ano e compareceram nove pessoas. Já em janeiro do ano seguinte veio mais gente, inclusive o Pedroso, o "colecionador de coleções", que infelizmente faleceu, mas a presença dele foi um prêmio.
Carlos Alberto Tavares Coutinho: Quem agitou tudo foi o Jonathan e, de fato, a presença do Pedroso foi como ter o Papa na reunião. Há uma foto dele no site, e até hoje algumas peças dele ainda são leiloadas. Ele era o colecionador de coleções. Eu e o Xerife chegamos a visitar seu consultório onde vimos diversas coleções, como latas, sabonetes de motel, estampas de sabonete, entre outros itens.

Koleções: Atualmente, o Rio Latas possui quantos integrantes?

Carlos Alberto Tavares Coutinho: São 15 ativos e alguns que aparecem esporadicamente.

Koleções: Quantos encontros ocorrem por ano?

Parker: Dos integrantes do Rio Latas são seis e do Brasil Chapter são 12 reuniões, além de um grande sem local fixo. Em 2010 foi em Bebedouro. Além desses, ainda tem um no Sul: o Tcherveja, organizado em um shopping e que conta com a presença de pessoas do Mercosul.

Koleções: Qual o significado da coleção?

Carlos Alberto Tavares Coutinho: O significado mudou ao longo do tempo. Inicialmente era bonitinho. Depois se tornou uma coisa para me dedicar e quando me aposentei se tornou algo para ocupar meu tempo – e como ocupa!
Parker: É lazer. Chego do trabalho e observo as latas e relaxo. Começo a lembrar como consegui cada uma. Você sai do mundo real e entra no mundo da coleção. E ao colecionar você conquista amizades. Você até pode parar a coleção, mas as amizades permanecem.
Xerife: Desde pequeno você se empolga e dispara na coleção, e com as mudanças da vida você acaba deixando aquele acervo, e tempos depois inicia uma coleção diferente. Vai obtendo novas peças e passa da fase de 'ajuntador' para colecionador. Atualmente, estou ajuntando. O colecionador tem dois problemas de "es" – esposa e espaço. Enquanto tem espaço ela não reclama.

Curiosidades:

Jonathan Bruce Parker já alugou cinco latas da Skol, por sete dias, ao custo de 200 reais para filmagens de um longa estrelado pelo ator Dado Dolabella. Havia a necessidade de ambientar a cena, na praia de Ipanema, no início dos anos 1980. Quando estavam filmando Meu nome não é Johnny, me procuraram, mas desta vez não foi concretizado o empréstimo.

Carlos Alberto Tavares Coutinho contribuiu para a publicação do Larousse da Cerveja, de Ronaldo Morado. Além desta participação, o colecionador está coletando material e informações para um livro sobre a história da cerveja.

Xerife possui uma barraca na Praça XV, na cidade do Rio de Janeiro, onde comercializa diversos artigos colecionáveis. "Tem muitas histórias de raridades encontradas na feira. O Museu da Imagem e do Som localizou um filme raro de um colunista social do Rio de Janeiro. Também já foram encontradas obras de arte roubadas, e houve um caso de um comprador que adquiriu fotografias do Museu Histórico Nacional e as devolveu à Polícia Federal", destacou.

*A feira de antiguidades ocorre aos sábados, das 7h às 14h.

Para obter mais informações sobre a paixão por itens de cerveja ou sobre o Rio Latas: Cervisia Filia e Rio Latas

Fonte: Blog Koleções - Por Tarcila Zonaro E Charles Antunes em 05/04/2011