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cerveja superpremium 07 10

Importação de cervejas super premium teve um aumento de 34,2% de janeiro a julho deste ano. | Foto: Alexandre Mazzo/Gazeta do Povo/arquivo

A cultura cervejeira no Brasil é um hábito concreto do dia a dia, seja no churrasco de domingo ou no happy hour do fim da tarde com os colegas de trabalho. Mas, com a chegada da pandemia, esse costume foi colocado em cheque pelo fechamento de bares e a suspensão de reuniões sociais.

Só que contrariando todos os preceitos imaginados no começo, a cerveja se mostrou uma importante companheira da quarentena no primeiro semestre do ano. Pesquisa da consultoria de mercado Ideal Consulting mostrou que a importação da bebida de categoria super premium teve um aumento de 34,2% de janeiro a julho deste ano -- 70% do volume trazido ao Brasil.

Nos estilos Larger e Ale, as super premiuns são aquelas que custam a partir de R$ 15 o litro nas gôndolas. Não existe apenas um motivo para esse aumento, mas especulações indicam que ele pode estar muito relacionado à harmonização com pratos feitos em casa e também à vontade que as pessoas têm de viver experiências gastronômicas de qualidade, mesmo dentro de suas residências durante a quarentena.

“Eu digo que as cervejas super premiuns são como os vinhos. Não são uma bebida de volume, e sim de degustação, de harmonização. O consumo é muito mais consciente e familiar; relacionado à gastronomia. O crescimento das importações durante a pandemia está relacionado a isso”, diz Felipe Galtaroça, CEO da Ideal Consulting.

Os novos hábitos de consumo em domicílio foram percebidos pelas importadoras, mas não de imediato. De acordo com Marcelo Stein, sócio-diretor executivo da Bier&Wein, que atua no mercado cervejeiro há 26 anos, as vendas da importadora geralmente se dividem igualmente entre supermercados e bares e restaurantes.

Nos primeiros 60 dias de pandemia, com o fechamento temporário do canal on trade, a primeira metade das vendas se tornou inexistente, enquanto que o canal off trade enfrentou uma queda brusca, uma vez que supermercados optaram por esgotar seus estoques antes de fazer novas compras.

No entanto, após esse período, o diretor afirma que a importadora não apenas recuperou suas vendas no canal off trade como alavancou a comercialização nos canais online.

“Foi através do online que descobrimos uma demanda muito grande por cervejas mais caras”, afirma Marcelo.

Ele atribui essa demanda ao conforto e praticidade que as pessoas têm ao consumir em casas. Pelas plataformas online o cliente pode observar com mais calma os rótulos e, consequentemente, experimentar algo que não tinha experimentado antes por um valor apenas um pouco maior.

Criatividade tupiniquim

Apesar do berço da cultura cervejeira ser europeu, o Brasil se tornou referência internacional pela criatividade na produção de cervejas especiais. De acordo com Rodrigo Veronese, mestre cervejeiro da Leopoldina, isso é facilitado pela vasta quantidade de ingredientes nacionais, como as frutas tropicais, que podem ser encontradas no país.

“Os brasileiros já estão percebendo que a produção nacional não é apenas de larga escala e estão começando a apostar nas especiais”, diz ele.

No momento, como afirma o mestre cervejeiro, outra característica vantajosa para as cervejas especiais no Brasil é o preço. Com a alta do dólar e o consequente reajuste de preços nas prateleiras, há a expectativa de que as artesanais nacionais ganhem mais destaque nos próximos meses.

“O aumento do dólar também afeta a produção nacional pois uma parte do custo de produção é dolarizado. De qualquer forma, o impacto é menor e abre uma oportunidade para as artesanais entre as importadas”, afirma.

Mesmo assim, ele ressalta que as internacionais sempre terão espaço como foi percebido no primeiro semestre. Mesmo com a desvalorização da moeda brasileira, os consumidores intensificaram a busca por rótulos belgas, alemães e norte-americanos.

Super premium x larga escala

Tanto Marcelo Stein quanto Rodrigo Veronese defendem a ideia de que a grande competição no Brasil não deve ser entre especiais nacionais e super premiuns importadas, mas sim de ambas com os rótulos de larga escala.

“Somos o terceiro maior mercado de cervejas do mundo, mas apenas 2% dos consumidores são adeptos das importadas e artesanais. Então, nosso grande concorrente são as ‘main stream’. Temos que nos unir, divulgar a cultura cervejeira e promover a experiência para converter esse percentual em mais gente”, diz Marcelo.

O diretor também comenta que tem observado nos últimos anos um avanço da cultura cervejeira, que indica que o percentual de consumidores das super premiuns tem grande potencial de aumento.

Para ele, os consumidores brasileiros podem ser organizados em uma pirâmide na qual a base é composta por pessoas que se orientam principalmente pelo preço. Depois, à medida que se olha mais para cima na pirâmide, elementos como qualidade, tradição e experiência vão se tornando mais relevantes.

“Existe um movimento para cima nessa pirâmide, mesmo os clientes que consomem apenas main stream já estão buscando as melhores. Antes, a base nem sabia que existiam outras opções, agora sim”, diz.

Seguindo o raciocínio do diretor, Rodrigo explica que, ao contrário dos rótulos de larga escala, as cervejas nacionais especiais não dispõem de tanto recurso para grande divulgação e, por isso, precisam conquistar no sabor e na experiência.

“Precisamos incentivar o upgrade dos hábitos de consumo. Agora, com a retomada de muitos bares e restaurantes, devemos aproveitar e investir na divulgação nestes canais", diz.

Para ele, é preciso precisamos treinar os estabelecimentos para apresentarem os produtos, tornar a marca mais presente e fazer o consumidor se interessar e se permitir experimentar."

 

Fonte: Gazeta do Povo – 07/10/2020

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