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Com início do cultivo nos últimos anos, fábricas começam a fazer experimentos com o insumo no Estado

Flor em formato de cone é utilizada para elaboração de diversos tipos de cerveja entre eles IPA e APA

Flor em formato de cone é utilizada para elaboração de diversos tipos de cerveja, entre eles, IPA e APA.
Marcelo Casagrande / Agencia RBS

As recentes experiências de plantio de lúpulo no Rio Grande do Sul já começam a encher os copos dos consumidores. Nos últimos dois anos, algumas cervejarias locais passaram a utilizar os cones verdes cultivados no Estado para criar novos rótulos. Como o volume de matéria-prima disponível no mercado ainda é pequeno, a produção de cervejas com o insumo local é feita em pequena escala, não passando de mil litros, e em edições limitadas. 

As bebidas com lúpulo gaúcho lançadas até o momento geralmente são harvest ale (cerveja de colheita, na tradução do inglês). Isso significa que a fabricação ocorre até 24 horas após a colheita, o que serve para manter o frescor e as propriedades da flor madura. Utilizando o método, a Salva Craft Beer, de Bom Retiro do Sul, no Vale do Taquari, lançou dois rótulos. Em 2019, a aposta foi na elaboração de 650 litros de uma American Pale Ale (APA), já esgotada. Neste ano, a empresa fez mil litros de India Pale Ale (IPA), que deve ser comercializada em pubs de Porto Alegre e na fábrica.

— Para qualquer cervejeiro, é um sonho utilizar lúpulo fresco — resume João Giovanella, diretor-executivo da Salva.

Conforme aumente a disponibilidade, Giovanella diz que há a intenção de ampliar o uso de lúpulo feito no Estado nas cervejas. Para isso, a Salva tem estabelecido parcerias com produtores familiares do Vale do Taquari para estimular o plantio e o fornecimento da matéria-prima. Hoje, são 11 agricultores associados, que devem entregar 1,5 tonelada do produto neste ano com preço garantido. Um engenheiro agrônomo da cervejaria fornece assistência técnica e ajuda a aprimorar a qualidade do insumo. No futuro, a empresa também pretende beneficiar e distribuir lúpulo excedente da fábrica para cervejeiros do Brasil e do Exterior.

“Para qualquer cervejeiro, é um sonho utilizar lúpulo fresco.”

JOÃO GIOVANELLA

Diretor-executivo da Salva

Resgate histórico

No caso da Edelbrau, de Nova Petrópolis, elaborar uma cerveja com lúpulo local significou resgatar parte da história do município da Serra. O sócio da empresa Fernando Maldaner descobriu que, na década de 1950, um imigrante alemão chamado Roland Hoblik chegou a manter plantação de lúpulo na cidade, que posteriormente foi perdida. No entanto, um vizinho de Hoblik, que mora na área rural, ainda preservava mudas da flor. 

A partir daí, a cervejaria decidiu fazer plantio experimental de 50 pés no pátio da fábrica em agosto de 2018, obtendo os primeiros cones em fevereiro de 2019. Como resultado, surgiu a Fresh Hop Pale Ale, lançada no ano passado. Os mil litros produzidos estão esgotados.

— Fazer essa cerveja foi um aprendizado. O resultado da experiência foi muito positivo. Não há dúvida que se pode plantar lúpulo no Brasil, mas ainda vai levar um tempo para termos o know-how e as tecnologias usadas na produção no Exterior — projeta Maldaner.

Neste ano, a Edelbrau pretende fazer nova experiência com a safra, que foi ampliada para mais de 200 pés. Desta vez, a intenção é secar o lúpulo e utilizá-lo posteriormente em outra receita, ainda não definida. 

À procura de identidade

As primeiras colheitas de lúpulo no Estado vêm abrindo novas alternativas para as cervejarias, hoje dependentes do insumo importado para produzir a bebida. Professor do curso técnico em cervejaria da Universidade do Vale do Taquari (Univates), Rodrigo Ferraro destaca que as empresas nunca haviam tido a possibilidade de utilizar a matéria-prima fresca. Geralmente, lúpulos trazidos do Exterior são de safras antigas, com até dois anos de diferença em relação à fabricação da cerveja.

Para Ferraro, é cedo para avaliar a qualidade do lúpulo nacional. Como o plantio ainda não está consolidado, cada safra acaba trazendo características diferentes às cervejas. Com o passar do tempo, a tendência é de que a produção se estabilize e garanta identidade própria.

— Os lúpulos importados têm características muito marcantes dos países em que são cultivados. Se consolidarmos a produção aqui, daqui a pouco poderemos formar uma nova escola cervejeira ou começar a criar estilos diferentes de cerveja. Só não podemos achar que isso será rápido — enfatiza.

 

Fonte: Gaúcha ZH – 07/02/2020

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