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A Ambev corre para se adaptar ao novo cenário, com foco em marcas premium, mas com a concorrência mais acirrada pode ter dificuldades para recuperar espaço

ambev guarulhos

UNIDADE DA AMBEV EM GUARULHOS Foto: Germano Lüders 20/06/2013 (Germano Lüders/EXAME)

São Paulo — A Ambev já não é mais o modelo de eficiência a toda prova que era há cinco anos. Ainda que a fabricante de cervejas tenha cerca de 60% do mercado brasileiro, o setor mudou completamente. Cervejarias artesanais e brewpubs, além da grande concorrente Heineken, têm ganhado mercado e a preferência dos consumidores. 

A companhia está correndo para se adaptar ao novo cenário, com foco em cervejas premium, mas com a concorrência mais acirrada pode ter dificuldades para repassar margens e recuperar resultados. É o que diz um relatório da casa de análise Nord Research, assinado pelo sócio-fundador Bruce Barbosa.

“A Ambev está exposta, com uma participação de mercado mais que relevante. Mesmo com o crescimento econômico, a Ambev terá problemas para crescer. O consumidor quer mais variedade, não quer mais suco de milho”, diz o relatório. A Heineken, assim como outras cervejarias, também usa cereais não malteados em algumas de suas marcas, como a Schin, por exemplo. Mas a força de sua marca principal é a maior ameaça à dona de Skol, Brahma e Stella Artois. 

Se nos últimos 10 anos o valor de mercado da Ambev cresceu 302% e o Ibovespa, 70%, nos últimos cinco anos o Ibovespa cresceu 140%, enquanto a Ambev subiu apenas 31%.

Mais variedade e qualidade

A variedade de opções de cervejas, estilos e preços é uma característica de mercados desenvolvidos, explica o relatório, como República Tcheca, Alemanha e Áustria. Já o Brasil está no meio de seu ciclo de desenvolvimento do setor. 

Um dos desafios atuais da Ambev é ampliar o seu portfólio para marcas mais premium e de melhor qualidade. A rejeição dos consumidores da cerveja com adição de milho, o que acontece no caso de algumas linhas populares da companhia, abriu espaço para outras variedades, como as cervejas de puro malte. “A Ambev focou mais nos custos que na qualidade e abriu espaço para a entrada da competição”, diz o documento.

De alguns anos para cá, a Ambev trouxe para o seu portfólio marcas como Corona e Colorado e expandiu suas marcas globais. No terceiro trimestre do ano, a companhia disse que o segmento premium apresentou crescimento de dois dígitos.

Recentemente, a Ambev tem ampliado a abertura de bares voltados para cervejas especiais. A mais recente empreitada são os bares Vista Corona, voltados para a cerveja Corona. Existem ainda os bares da Goose Island e da Heogaarden, além da rede de franquias o Bar do Urso, voltada à cerveja Colorado.

 

Fonte: Exame – 23/01/2020

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