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Analistas do banco Credit Suisse visitaram 115 bares paulistanos e mostram que 97% deles vendem cervejas da dona de marcas como Skol, Brahma e Stella Artois

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GARÇOM EM SÃO PAULO: 19% dos bares compram Heineken por conta própria, por falhas na entrega da rede própria / REUTERS/ Nacho Doce (Nacho Doce/)

São Paulo — Para os analistas do banco Credit Suisse, visitar bares é coisa séria. O banco divulgou nesta terça-feira a segunda versão de um relatório divulgado pela primeira vez em janeiro de 2019, com o objetivo de medir a força das cervejarias em bairros nobres e sobretudo em regiões mais afastadas de São Paulo.

A equipe visitou 115 bares de 40 bairros — é uma pequena mostra dentro dos 15.000 bares paulistanos, mas que reproduz a distribuição populacional e de renda da maior cidade do país. E descobriu que a maior cervejaria do país, a Ambev, segue imbatível na distribuição, sobretudo entre os bares mais populares. Assim como em 2019, a Skol é a marca mais vendida em bares de 10 das 11 regiões de São Paulo — a exceção é o abonado Itaim, onde a Heineken lidera.

As cervejas da Ambev foram encontradas em 97% dos bares, ante 84% do ano passado, com 100% de penetração na periferia. As cervejas de sua maior concorrente no Brasil, a holandesa Heineken, por sua vez, foram encontradas em 85% dos estabelecimentos (mas apenas 66% destes são atendidos diretamente pela Heineken, ante 60% de 2019). O Grupo Petrópolis, dono da Itaipava, também ganhou volume — atende 68% dos bares, ante 55% do ano passado.

A Heineken travou recentemente disputa judicial com a Coca-Cola, historicamente responsável pela distribuição de suas cervejas no Brasil. Os holandeses anunciaram em 2017 o rompimento do contrato, mas uma decisão judicial do fim do ano passado determinou que o contrato seguirá em vigor até 2022. Hoje, a Coca é responsável por distribuir as marcas Heineken, Amstel, Kaiser e Bavaria, enquanto a rede própria distribui Schin, Devassa e Eisenbahn. A salada traz dificuldades na ponta.

Além disso, a Heineken sofre com um excesso de demanda. No fim de 2019 a companhia anunciou investimentos para dobrar sua capacidade de produção no Brasil. Como medida emergencial, segundo EXAME apurou, a companhia parou de fabricar algumas linhas de sua marca Eisenbahn, para focar as categorias de maior volume.

Nos últimos 12 meses o Brasil passou de quarto para maior mercado em volume da marca Heineken no mundo, o que acentuou falhas logísticas — uma oportunidade que, como mostra o Credit Suisse, pode ser explorada pela Ambev.

Segundo o relatório, 19% dos bares pesquisados compram as cervejas da Heineken de outros distribuidores que não a Coca, e 39% deles têm problemas de distribuição com a marca Heineken.

 

Fonte: Exame – 08/01/2020

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