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Segundo um estudo publicado na Nature, mudanças climáticas podem causar uma crise na produção de cevada e, consequentemente, na cerveja

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(Shutterstock)

SÃO PAULO - Os amantes de cerveja que preparem seus bolsos. Estudos mostram que a tendência é pagar mais e encontrar cada vez menos da bebida alcoólica mais consumida no mundo à medida que as mudanças climáticas atingem a produção da cevada.

"Assim como outras espécies produtoras de grãos, a cevada tem limites de temperaturas. Um aumento de temperatura nas atuais regiões produtoras poderia impactar a produção de cevada, principalmente aquela destinada ao fabrico de cervejas", diz Euclydes Minella, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em entrevista ao InfoMoney.

Uma conclusão drástica foi publicada na revista científica Nature, a partir de um estudo desenvolvido por cientistas da Universidade da Califórnia, da Universidade Chinesa de Pequim, da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e da Universidade de East Anglia, na Inglaterra.

"Embora esse não seja o impacto futuro mais preocupante da mudança climática, extremos climáticos relacionados a isso podem ameaçar a oferta e a acessibilidade econômica da cerveja", diz o estudo.

Menos cevada, menos cerveja

A primeira consequência direta da queda da produção seria, segundo os modelos matemáticos do estudo, um intenso aumento nos preços da bebida seguido de diminuição no consumo.

A equipe analisou as áreas ao redor do mundo que cultivam cevada e projetou o que ocorrerá, analisando quatro cenários diferentes de aquecimento climático até 2050.

Consumo caindo e preço subindo

O cenário mais 'otimista' é que, até 2050, em tese, um pacote de seis latinhas de cerveja comuns possa custar o equivalente a US$ 20, ou seja, cerca de US$ 3 por 300 ml da bebida. O estudo considera que, em casos em que a produção da cevada caia 4%, o valor da bebida suba mais de 15%.

As mudanças devem impactar diferentes regiões do mundo de forma distintas, já que a reação diante da escassez da bebida seria diferenciada. Países mais ricos e amantes da bebida, como Bélgica, Canadá e Alemanha, por exemplo, não devem ver uma queda tão drástica de consumo. 

Já em mercados onde a população em geral possui menos poder aquisitivo deve haver uma grande redução no consumo da bebida, graças aos preços mais altos. 

O estudo prevê, também, que o consumo global de cerveja diminuirá em 16% nos próximos 10 anos caso a temperatura do planeta continue a subir. O que pode causar uma enorme crise na indústria cervejeira, que é um setor que movimenta US$ 592 bilhões por ano, de acordo com a consultoria alemã Statista.

A reação da agricultura

Muitos agricultores já estão se adaptando ao aquecimento global - com técnicas avançadas de melhoramento de plantas para criar grãos mais resistentes à seca, por exemplo. Grandes empresas vêm investindo pesado em engenharia genética e biotecnologia, tudo para tentar driblar os problemas causados pelo aquecimento global.

Procurada pelo InfoMoney, a Ambev garantiu que vem trabalhando há mais de 40 anos em um programa para desenvolver diferentes tipos de cevada que sejam mais resistentes às mudanças climáticas.

"A cervejaria vem investindo na tecnologia para inovar as variedades de sementes e na capacitação e treinamento de agricultores parceiros. Tudo para que o impacto das mudanças climáticas seja minimizado o máximo possível", diz a nota da cervejaria.

Sem pânico

Minella, o pesquisador Embrapa, pondera que o período necessário para gerar a escassez da cerveja pode demorar - e muito. "O período de aquecimento pode durar de poucos a milhões de anos. É incerto. Com isto quero tranquilizar os apreciadores de cerveja afirmando que não será no curto ou médio prazos que a produção de cevada vai ser reduzida a ponto de causar escassez e por consequência, possível aumento nos preços", diz. 

Mas, se há intenção de preservar a tradição de tomar uma "gelada" no fim do expediente, pode ser o momento de começar a prestar atenção nos efeitos das mudanças climáticas. "No momento não temos como prever até quando a temperatura vai continuar a subir e tampouco sabemos o limite do aumento", pondera o pesquisador.

Fonte: Infomoney – 31/08/2019

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