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Em entrevista exclusiva ao Guia, gerente-geral da espanhola Edge Brewing fala sobre prêmio de 2014 e adaptação da marca ao Brasil

O nome pode até confundir, dando a entender que se trata de uma marca dos Estados Unidos. Mas a Edge Brewing, que não nega suas raízes, está cada vez mais confortável com sua condição de cervejaria barcelonesa. Sua trajetória meteórica desde sua fundação em 2013, pelos norte-americanos Scott Vanover e Alan Sheppard, na capital da Catalunha, demonstra que sua estratégia de “aclimatar-se” à Europa tem funcionado. Uma prova disso foi ela ter sido eleita pelo RateBeer como a melhor nova cervejaria do mundo em 2014.

“A Edge foi estruturada para se promover como uma ‘craft beer norte-americana’ produzindo em Barcelona, convidando os consumidores locais a uma ‘exploração’”, afirma Elliot Konig, gerente-geral da cervejaria, em entrevista ao Guia. “Certamente tivemos que ajustar parte de nosso branding e deixar um pouco de lado a ideia de ser uma ‘craft beer norte-americana’, acrescenta ele sobre a fase atual da cervejaria, de expansão para outros países.

E um deles é o Brasil, onde a marca chegou em abril de 2019 pelas mãos da importadora Suds Insanity, desembarcando nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal.

Foram 11 rótulos em sua primeira remessa, com destaque para a Apassionada (Berliner Weisse com maracujá), medalha de prata no Barcelona Beer Challenge e aposta de Konig para o Brasil; a dupla de IPAs Hoptimista e Accidental Jedi; e a porter Padrino.

Confira, a seguir, 10 fatos sobre a Edge Brewing nas palavras de Elliot Konig, gerente-geral da cervejaria.

1- Adaptação à Espanha
Fazer cerveja hoje em dia nesses dois países (EUA e Espanha) não é muito diferente, já que o processo é o mesmo. Conseguimos nos abastecer de ótimos maltes, lúpulos e leveduras na Espanha, assim como nos EUA, e tratamos muito bem nossa água para garantir boas condições de uso. Os desafios e diferenças entre os dois países estão mais no sentido de lidar com a burocracia que regula a indústria, e também na infraestrutura, já que as cidades, seus prédios e sistemas são muito mais antigos do que nos EUA.

2- Nascimento da Edge
Originalmente, a Edge foi estruturada para se promover como uma “craft beer norte-americana” produzindo em Barcelona, convidando os consumidores locais a uma “exploração”. Isso foi criado com a ideia de fazer com que o mercado local deixasse um pouco de lado as cervejas tradicionais, que sempre dominaram a cidade, e experimentasse novos sabores e estilos que estavam começando a chegar à Europa naquele momento. Dado que Barcelona é uma cidade internacional, foi muito fácil fazer com que as pessoas viessem à nossa cervejaria para provar nossos produtos e cair na festa.

3- Evolução da Edge
Agora, que estamos em nosso sexto ano produzindo em Barcelona e que estamos acompanhados de outras tantas ótimas cervejarias na Catalunha e na Espanha, certamente tivemos que ajustar parte de nosso branding e deixar um pouco de lado a ideia de ser uma “craft beer norte-americana”. Nossos colaboradores vêm de diversos países, somos abastecidos basicamente por fornecedores europeus e somos muito orgulhosos de sermos parte de Poblenou [bairro no distrito de San Martí, no nordeste de Barcelona].

4- Prêmios em meio à crise
Quando a Edge fez sua primeira cerveja, em 2014, tratava-se de um projeto ambicioso para o momento, devido à situação econômica da Espanha. Com auxílio de ingredientes norte-americanos frescos, conseguimos criar cervejas novas bastante empolgantes, que nos ajudaram a ganhar certo reconhecimento de maneira rápida.

5- Rótulos consagrados
Especialmente a Hoptimista, nossa clássica West Coast IPA, foi reconhecida (em 2014) como uma das 50 melhores cervejas do ano pelo RateBeer. Esse rótulo tem sido, desde então, um elemento crucial da Edge, e continua fazendo parte central do nosso portfólio produzido o ano todo. Outra cerveja que nos ajudou em nosso sucesso precoce e que continua sendo produzida é a nossa Porter, Padrino, rótulo mais premiado nas diversas competições em que entrou. Mas, claro, nós evoluímos com o tempo, como tem acontecido com a indústria ao nosso redor, e viemos criando cervejas de diferentes estilos para garantir que continuemos a ser relevantes.

6- Fechamento da Stone na Alemanha
Todo país tem suas tradições e costumes quando se trata de cerveja, portanto é muito difícil comparar nossa trajetória com a da Stone Brewing em Berlin. O mercado alemão é muito peculiar quando se trata de seu consumo de cerveja, que é baseado em sua história, leis e tradições. Mesmo que a Stone tenha tentado fazer muito na Alemanha em pouco tempo, não há como negar o impacto que eles causaram na cena da cerveja artesanal do país.

7- Chegada ao Brasil
Sou muito otimista em relação ao futuro da Edge no mercado brasileiro. Tenho acompanhado o mercado há anos por meio de redes sociais e tenho tido oportunidade de dialogar com cervejeiros brasileiros que vêm para Barcelona. Minha impressão é de que a comunidade cervejeira brasileira está crescendo com firmeza e constância, e que o público vai apreciar as cervejas que estamos fazendo.

8- Desafios no Brasil
Os maiores obstáculos que eu imagino que vamos encontrar estão na logística, nas taxas de importação e no processo todo pelo qual temos que passar para poder mandar a cerveja ao país. Por sorte, agora que já passamos pelo processo com sucesso uma vez, repeti-lo deve ser bem mais fácil quando for a hora de mandar mais cerveja.

9- Apostas para o Brasil
O portfólio da Ege Brewing tem 5 cervejas principais produzidas constantemente: Voila, Hoptimista, Ziggy, Padrino e Apassionada. Além delas, costumamos produzir três ou quatro cervejas por mês que são lançadas em edições limitadas. Em nossa carga enviada ao Brasil, incluímos um volume bom das nossas Sour Beers, como a Apassionada, a Piña Colada Sour e a Gose Margarita. Devido ao aumento da popularidade desses estilos e às combinações e frutas que usamos, eu diria que elas serão as de maior sucesso no Brasil.

10 – Futuro no Brasil
De maneira geral, acredito que nossos rótulos terão boa saída no país. Estou mantendo os dedos cruzados para vendermos tudo o que enviamos rapidamente. Assim, posso me enfiar no próximo carregamento e conhecer melhor o Brasil.

 

Fonte: Guia da Cerveja – 03/07/2019

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