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Acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor foi a grande “sacada” dos fabricantes de cerveja no Brasil

Carlos Donizete Parra

Passamos, atualmente, pela maior transformação da história da humanidade, superando todas aquelas vividas em pós-guerras e revoluções industriais. A terceira revolução industrial foi o pontapé inicial para essa transformação que acontece paralelamente ao movimento cervejeiro no Brasil e, por isso, vale a pena contextualizar rapidamente alguns fatos.

Há mais ou menos 100 anos, a maioria das cidades brasileiras nem energia elétrica tinha.  O transporte era feito por carroças. O rádio nasceu no Brasil, oficialmente, em 7 de setembro de 1922, nas comemorações do centenário da Independência do país, com a transmissão, à distância e sem fios, da fala do presidente Epitácio Pessoa. O transporte evoluiu para o bonde, a energia foi se espalhando pelo país e a televisão surgiu em 1950 com a extinta TV Tupi.

Fazendo uma rápida viagem para os tempos atuais, vemos que o transporte teve uma evolução fantástica. Já estamos na fase dos veículos autônomos e já existe o projeto do teletransporte, um tubo espacial que vai levar as pessoas de um lugar a outro numa velocidade de cerca de 1.200 km por hora, ou seja, é possível trabalhar em Porto Alegre e morar em São Paulo, como se estivéssemos pegando o fretado todos os dias. Para essa distância parece que até o avião tem os dias contados, que diria, então, o carro.

O Uber é uma das grandes evoluções da transformação digital e da inovação disruptiva no mundo, mas seguindo desse jeito também vai ter que se reinventar muito rápido.

Essa mesma inovação, que quebra tudo mesmo, colocou no mercado o smartphone e fez desaparecer indústrias e negócios enraizados por décadas em nossas vidas, como a máquina fotográfica, as locadoras de vídeo cassete, os jornais diários e tantos outros. Mas, ninguém deixou de tirar fotos, assistir um bom filme no sofá de casa ou ler as notícias do dia logo cedo. A forma de fazer tudo isso é que mudou. As plataformas e ferramentas que fazem esses serviços chegarem até nós é que mudaram.

Para isso acontecer muita gente perdeu o emprego, mas também outros tantos empregos foram criados e alguns já estão no topo das profissões mais procuradas no mundo, como o cientista de dados, por exemplo. Nos Estados Unidos está no Top Ten das profissões mais procuradas. Lá, a escassez de cientistas de dados oscilava em torno de 140 a 190 mil profissionais, em 2018, um número que, segundo os especialistas da área, só tende a crescer. Mas que profissão é essa e para que serve? Bem, para muita coisa na sociedade digital em que estamos mergulhados.

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Mais de 900 cervejarias fazem a alegria dos consumidores de cervejas especiais

 

Ora, hoje, cada ser humano com um dispositivo móvel em mãos é um produtor de dados, os quais são gerados em velocidade, volume e variedade cada vez maiores. Esses bancos de dados, quando não são utilizados adequadamente pelas instituições, acabam se tornando verdadeiros elefantes brancos.

São elefantes que consumem recursos valiosos – pense em quanto espaço físico e virtual é preciso para armazená-los – e não são poucos os gestores que se assustam diante desse cenário complexo de números, nomes, datas, telefones, e-mails, endereços, comentários, curtidas, imagens, vídeos… É um amontoado heterogêneo que costuma conter informações preciosas, capazes de levar à solução de vários problemas e permitir avanços significativos às instituições, contribuindo para a tomada de melhores decisões. Há potencial para aumentar receitas, reduzir custos, aprimorar experiências de clientes e promover inovações. Não saber o que fazer diante dessa riqueza de dados é, no mínimo, desesperador.

Posto isso, é fácil imaginar os impactos que a transformação digital está gerando: para se ter uma ideia, o crescimento da renda per capta no mundo foi maior nos últimos 15 anos do que em quase 2000 anos vividos antes. Mais renda per capta é sinal de novas oportunidades no mercado. Isso mesmo, essa transformação toda gera muitas oportunidades tanto para os negócios tradicionais quanto para negócios que ainda nem foram descobertos. Daí a quantidade enorme de startups surgindo todos os dias por aqui.

Cervejarias surfaram a onda

Com todas essas mudanças, quem não surfar a onda morre na praia. E, as cervejarias artesanais aprenderam direitinho a lição, passando nos últimos 10 anos de cerca de 100 cervejarias registradas para quase 900 cervejarias no final de 2018. Pelo avanço do mercado devemos chegar na milésima cervejaria ainda este ano.

Muito importante nesse movimento é que o aumento de consumo vem sustentado pela fidelização dos consumidores que estão optando por um produto de melhor qualidade em detrimento do preço.

Alguns fatores foram cruciais para esse ciclo positivo das cervejarias brasileiras, entre eles a criatividade, o sabor, a tecnologia dos equipamentos, o aumento da disponibilidade de insumos, embalagens e matérias-primas. O cenário das cervejas especiais no Brasil teve como base o aumento de cervejeiros caseiros que, em muitos casos, transformaram-se em empreendedores desse mercado e, atualmente, fazem parte dessa lista de cervejarias registradas pelo MAPA, que só tende a crescer. Essa transformação veio acompanhada de mudanças sociais e culturais que contribuem para um novo comportamento do consumidor e as cervejarias responderam a essa demanda com produtos de qualidade e muita inovação.

Sabor

Segundo dados da Mintel, os Estados Unidos lideram os lançamentos globais de cervejas artesanais com 17% de todos os lançamentos em 2017. E, para nossa satisfação, o Brasil já é o número dois com 9% desses lançamentos, mostrando que a sede dos consumidores brasileiros por uma nova cerveja era latente.

Acontece no Brasil, atualmente, o que se passou nos Estados Unidos nas décadas de 80 e 90. A Europa também segue essa tendência de inovação das cervejas artesanais, colocando seis países entre os dez mais inovadores, entre eles Reino Unido, Noruega, Espanha, Itália, França e Suécia. Número nove na lista é o México. A situação na Europa demonstra que seus consumidores também cansaram de beber sempre as mesmas cervejas. O Reino Unido lidera essa corrente, mas os outros países também seguem o mesmo caminho.  Os europeus também estão dispostos a gastar mais com cerveja artesanal, com 52% dos consumidores de cerveja na Itália, 51% na França, 46% na Alemanha e 45% no Reino Unido concordando que a cerveja artesanal “vale o dinheiro extra”.

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O sabor é considerado o principal fator de decisão de compra de bebidas e alimentos

 

O sabor é, ainda, o grande foco da inovação das cervejas artesanais, assim como foi nos Estados Unidos. Mais de 900 cervejarias instaladas no Brasil já lançaram no mercado cerca de 10 mil rótulos de cervejas de diversos estilos e com adição de ingredientes muito variados. Essa combinação de sabores foi uma grata novidade para o consumidor que respondeu prontamente e que agora já começa a selecionar o que mais lhe agrada.

O sabor é um dos principais fatores de decisão de compra para bebidas e alimentos em qualquer parte do mundo, segundo estudos realizados pela fabricante de ingredientes Tate & Lyle. De acordo com o estudo, a redução de açúcar e calorias, a rotulagem limpa (“Clean label”), a ingestão de fibras e o aumento no consumo de alimentos à base de plantas são algumas das principais tendências em alimentos e bebidas para 2019.

A crescente demanda por fibra é relevante: os consumidores a veem não apenas como um ingrediente que ajuda na digestão, mas também no controle de peso.

Em todo o mundo, há um aumento considerável no lançamento de produtos que incluem fibras: 32% de crescimento na categoria de sopas e molhos; 26% a mais em panificação, 23% em bebidas e 14% em produtos lácteos.  Além das fibras, as proteínas também ganham destaque no cenário mundial. Com um considerável aumento no lançamento de produtos que possuem em suas formulações proteínas, sejam elas de origem animal ou vegetal, sendo que os produtos de origem vegetal como ervilhas e outros começam a ganhar a preferência dos consumidores.

Tudo isso deve vir também acompanhado pelo uso de ingredientes naturais e de origem segura. É um grande desafio para as indústrias unir essas características sem comprometer o sabor das cervejas. Com uma fruticultura privilegiada, a adição das frutas à cerveja era só uma questão de tempo. E, hoje, vemos a grande utilização delas na cerveja, além de especiarias, alguns vegetais, mel e outros alimentos.

Estudo produzido pela Kerry, outra empresa líder mundial em ingredientes, chamado Taste Charts 2019 Latam, destaca as principais tendências para sabores culinários, doces e bebidas na América Latina. De acordo com os dados, muita coisa vai mudar quando pensamos em hábitos alimentares – prova disso é a maior busca dos consumidores por sabores autênticos, caseiros e que remetam aos tempos de infância.

O levantamento mostrou que, em se tratando de sabor, os jovens são bastante abertos a novas experiências: 49% dos millennials e da geração Z gostam de experimentar sabores novos e incomuns. O estudo foi baseado em dados de vendas, tendências de consumo, influências do segmento Food Service e no conhecimento dos especialistas culinários da empresa. Foram entrevistados consumidores de países como México, Costa Rica, Porto Rico, Brasil e Cone Sul. São sete as principais tendências definidas de acordo com o Taste Charts:

• Comendo Bem

Na busca pela saudabilidade, o valor estará nos sabores que trouxerem bem-estar e benefícios para a alimentação. Segundo o levantamento, 59% dos consumidores latino-americanos estão buscando mais produtos com baixo teor de açúcar.  A tendência apontada no estudo conta com sabores como goiaba, linhaça, tomate e manjericão.

• Autenticidade

A busca por alimentos que ressaltem a autenticidade local também será cada vez maior. O crescimento da população e sua diversidade têm feito os consumidores irem em busca de suas raízes. Será intensa a procura por sabores que ressaltem a sensação de comida caseira e regionalidade. No Brasil, exemplos dessa tendência são iogurtes sabor jabuticaba e geleias com sabores regionais, como graviola. No México, pode-se citar a maionese com sabor guacamole. Já na Costa Rica, a busca pela autenticidade se reflete em produtos como molho picante com mel e café produzidos localmente. Em geral, a tendência de autenticidade na América Latina destaca sabores específicos como arroz doce, lichia e cúrcuma.

• Conforto e aconchego

Sabores nostálgicos, familiares e autênticos. Os integrantes desta categoria remetem à infância e fazem viajar no tempo. Os sabores de leite condensado, chocolate, cookies, merengue e tutti-frutti estão presentes nesta tendência. No Brasil, 57% dos entrevistados dizem que os produtos do passado são melhores que os disponíveis atualmente, refletindo a nostalgia de quando a vida era mais simples.

• Nível Máximo de Picância

Segundo o estudo, 40% dos consumidores de todo o mundo estão na busca por alimentos com picância. Entre os sabores em destaque estão: jalapeño, pimenta verde, curry, páprica e chilli.

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Será cada vez maior a busca por sabores que ressaltem a regionalidade e a autenticidade

• Um brinde aos coquetéis

Novas experiências de sabor estão surgindo por meio das invenções e da criatividade do mundo da mixologia. Segundo o estudo, 31% das pessoas que fazem ingestão de bebidas alcoólicas gostariam de ter mais opções de bebidas prontas para consumo que tenham sabores como Margarita, Tequila, Whisky, Sangria e Piña Colada. O Chile é o país com maior consumo de álcool na América Latina: 9,6 litros per capita ao ano. Argentina registra 9,1 litros e o Peru 8,1 litros.

• Método de Cocção

De assado e grelhados a defumados, caramelizados e torrados, os integrantes desta categoria resultam em uma atração dos sentidos através de diversas sensações.

• Fascinação Floral

Com a revolução do gin e a presença de flores frescas em saladas, o uso de plantas deve continuar a crescer. Lavanda, hibisco e erva cidreira estão em alta.

 

Bons exemplos

A cervejaria Cozalinda é um desses casos em que o sabor é o grande diferencial da marca.  A empresa oferece uma linha de cervejas de guarda com ingredientes especiais e muito bem elaboradas.  A Cozalinda procura entregar aos consumidores uma experiência única com cervejas que podem ser guardadas por até cinco anos, e que trazem muita complexidade ao produto. A cervejaria que completa 5 anos em 2019, ganhou 15 medalhas no Brasil e no exterior, quase sua totalidade com cervejas ácidas, complexas e de guarda.

 

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Em seus mais de 20 anos de história, a Cervejaria Colorado é reconhecida por suas receitas com o uso de ingredientes brasileiros. No início do ano, a cervejaria de Ribeirão Preto, lançou a linha “Brasil com S”, com novos ingredientes tipicamente nacionais.

A ideia da Cervejaria com a nova linha é lançar uma cerveja por mês. A primeira cerveja é uma American Pale Ale com garapa, 5,6% de teor alcoólico, 34 IBUs e cor amarela dourada. A matéria-prima vem de microprodutores de Ribeirão Preto. As garrafas da linha “Brasil com S” são serigrafadas, um lado com uma ilustração especial e o outro com lemas da cervejaria. São embaladas manualmente com papel de pão que traz, em seu interior, um manifesto traduzindo o espírito da linha.

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A lucratividade das empresas de cerveja está ligada diretamente ao aumento das cervejas especiais

 

Outra novidade da linha é o uso de realidade aumentada. As informações da cerveja estão no neck, que é de papel semente. É possível escaneá-lo para assistir a um vídeo com os microprodutores do mês contando sobre a produção do ingrediente diferenciado.

A edição número 2 é uma New England IPA com maracujá, fruta tipicamente brasileira bastante utilizada para fabricação de sucos e doces.

Com corpo médio, amargor médio/alto e aroma de frutas amarelas, proveniente do dry hop dos lúpulos amarillo e galaxy, a cerveja tem 6,5% de teor alcoólico e 40 IBU.

 

Puro malte é destaque entre as cervejarias grandes

 

Na contramão da desaceleração da Cesta de Bebidas no Brasil, que caiu 5% em volume em 2018, as cervejas puro malte se destacaram em larga escala ao registrarem crescimento de 81% em litros vendidos, enquanto as cervejas comuns tiveram apenas 2% de aumento no mesmo período. É o que aponta um estudo da consultoria Kantar, especializada em painéis de consumo.

Este tipo específico de cerveja é o grande destaque da categoria e já corresponde a 10% de todo o volume da bebida comprada para consumo dentro do lar. O segmento foi consumido por 23% dos domicílios no país em 2018 atingindo mais de 12 milhões de lares, uma expansão de mais de 6 pontos percentuais em 12 meses. Além disso, o segmento também apresentou crescimento em volume médio e gasto médio, 34% e 28% respectivamente.

 

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Os números são ainda maiores fora do lar, cenário que naturalmente concentra grande parte dos pedidos de cerveja. Entre as vendas de puro malte, as pessoas tendem a desembolsar R$ 27,25 quando estão em casa e R$ 42,08 fora. Segundo o estudo o bar representa quase metade (47,3%) do consumo de puro malte fora do lar.

Depois das mesas dos bares, os locais que se destacam para o segmento são hipermercados/supermercados (16,1%) e restaurantes/fast food/pizzarias (8,6%). Ainda de acordo com o levantamento, em comparação com os outros tipos de cerveja, a puro malte é eleita entre os brasileiros que gostam do sabor, querem experimentar algo novo e têm na opção a sua bebida favorita.

Investimentos

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A Ambev criou uma linha de cervejas especiais para a marca Skol
Foto: Rafael Martins


Outra notícia comemorada no setor cervejeiro é que depois de quatro anos em retração, parece que o ciclo perverso chegou ao fim. Informações do Credit Suisse mostram que o volume de vendas de cervejas da Ambev, dona de dois terços do mercado, cresceu cerca de 7% no primeiro trimestre. Seria o recomeço para um ciclo virtuoso no país?

As vendas das cervejas puro malte mostram que sim, mas será necessário um reposicionamento do portfólio. O mercado global de cerveja movimentou 196,32 bilhões de litros em 2017, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. No Brasil, o que acontece é um aumento de consumo na categoria de cervejas especiais e uma queda no consumo de cervejas mainstream. Segundo dados da Euromonitor International, a categoria de cervejas especiais é a que mais cresce no país e representa 11% do total de cerveja consumida. No mundo, a taxa é de 19%. O Brasil é o 3o maior mercado mundial de cerveja do mundo, mas em consumo per capita é somente o 26º.

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A Petrópolis aumenta o portfólio de cervejas especiais, marcas como a Black Princess ganham espaço no mercado

Ambev, Heineken e Petrópolis estão trabalhando na reformulação de portfólio, seja através das cervejas importadas ou criando linhas de cervejas especiais, como a Skol Hops e Skol Puro Malte, da Ambev; e a Petra Origem da Petrópolis.

Outra estratégia das gigantes do setor é o investimento em cervejarias artesanais, um passo fundamental para acompanhar as demandas do mercado e responder prontamente aos desejos dos consumidores.

Os investimentos em novas fábricas também agitam o mercado. Com uma participação de aproximadamente 12% do mercado, a Petrópolis vai investir R$ 800 milhões na construção de uma nova fábrica em Uberaba com início de operação previsto para abril de 2020.

Enquanto isso, a Cervejaria Imperial inicia as obras da nova unidade de Três Lagoas, com previsão de operação para o primeiro semestre de 2020, ao mesmo tempo em que agiliza os trabalhos de ampliação e modernização da fábrica de Frutal, ex- Aralco e Proibida.

A briga deve ser acirrada e quem não tiver eficiência e produtividade não consegue se manter no topo.

 

Fonte: Engarrafador Moderno – 17/06/2019

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