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Estudo de cervejaria e acadêmicos mostra que os outonos e primaveras mais quentes podem prejudicar a Lambic (Foto: Cantillon)

Parece inacreditável, mas está acontecendo: o aquecimento global que vem se acentuando nas últimas décadas (apesar de alguns negarem) pode colocar em risco uma das mais tradicionais variedades de cerveja: a Lambic belga. Em conjunto, cientistas da Universidade do Novo México, do site Lambic.info e da cervejaria Cantillon conduziram um estudo das temperaturas em Bruxelas, capital belga, e na região de Pajottenland (sudoeste da Bélgica). E os resultados colocam em xeque a possibilidade do estilo continuar sendo feito por dentro de 80 anos.

Isso acontece, pois, a Lambic é fermentada ao ar livre – por meio da exposição a leveduras selvagens e bactérias do ar – e precisa de temperaturas entre -8ºC e 8ºC no período da noite para um melhor resfriamento. Historicamente, o melhor período para a produção é de outubro a abril. Depois de resfriada, é armazenada em barris de madeira e exposta a seus microrganismos. A temperatura ideal para esta etapa é de até 25ºC. Acima disso, há o risco de bactérias indesejadas se manifestarem.

Mas o estudo mostrou que, com o aquecimento global, a janela em que as temperaturas ideais são encontradas diminuiu de 165 dias, tomando como base o ano de 1900, para 140 dias atualmente. Há o temor de que, no futuro, esse período se encurte ainda mais, levando a problemas como o de 2015, quando milhares de litros tiveram que ser descartados por terem fermentado na temperatura errada.

“Os resultados mostram que a Cantillon está vivendo uma mudança de condições de produção de cerveja, e que as mudanças para se adaptar à nova condição requerem alterações no modo de produção que estão fora do alcance de seus métodos tradicionais”, afirma Mark Stone, pesquisador da Universidade do Novo México.

A Cantillon produz 400 mil garrafas por ano e já aceita que sua capacidade de produção pode estar comprometida no longo prazo. Jean Van Roy, proprietário da cervejaria, disse ao blog Brussels Beer City que resfriar o mosto artificialmente alteraria o sabor da cerveja.

“Se tivéssemos que fazer isso toda temporada, seria um problema e precisaríamos de mudanças”, afirma. Para isso, ele cita medidas como o uso da mão de obra nos finais de semana para aproveitar ao máximo a janela. “Ou podemos mudar nossa cervejaria para a Dinamarca ou Suécia, talvez”, diz, se referindo a países onde o aquecimento global está mais longe de comprometer as condições ideais para a Lambic.

Fonte: Guia da Cerveja – 11/09/2018

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