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Marcelo Carneiro deixou ramo farmacêutico nos anos 90 para se dedicar à bebida. Brasil fechou 2017 com 679 cervejarias e 8.903 produtos registrados, diz Ministério da Agricultura.

cervejaria ribeirao

Marcelo Carneiro, fundador da Cervejaria Colorado (Foto: Divulgação)

Há 22 anos, Marcelo Carneiro estava longe dos tanques de fermentação que guardam uma das bebidas mais apreciadas pelos brasileiros: a cerveja. Ele se dedicava ao ramo farmacêutico, mas uma viagem à Califórnia, nos EUA, despertou nele o interesse pela combinação água, malte, lúpulo e levedura.

Os itens do ‘laboratório’ foram substituídos e, em 1996, ele apresentou aos amigos e ao mercado a Cervejaria Colorado, em Ribeirão Preto (SP), e uma de suas primeiras apostas: uma IPA (Indian Pale Ale) brasileira. O sabor amargo e o alto teor alcoólico, contrários ao da Pilsen, queridinha no país, dividiram opiniões. Carneiro afirma que foi chamado de louco, mas a insistência rendeu bons copos e muitos admiradores.

Entusiasta da cultura brasileira, acrescentou ingredientes típicos às receitas, como rapadura, mandioca, castanha do Pará, graviola.

Ao longo de duas décadas, ele viu o movimento das cervejas artesanais ganhar corpo no Brasil. Tanto que, em maio de 2015, fechou a venda da Colorado para a gigante Ambev. O negócio proporcionou a chegada dos rótulos aos quatro cantos do país.

Em 2017, o Ministério da Agricultura informou que o Brasil fechou o ano com 679 cervejarias e 8.903 produtos registrados. Considerando que a curva de crescimento começa a se acentuar em 2010, o aumento no número de estabelecimentos gira em torno de 465%.

Hoje, Carneiro diz que a cerveja especial não é moda, e está convicto de que ela veio para ficar, apesar das queixas dos produtores sobre a tributação para os microcervejeiros. A discussão sobre o assunto, no entanto, ele evita comentar, justamente por fazer parte de uma empresa de capital aberto.

E se o negócio é levar às pessoas a experiência de conhecer cervejas diferentes com combinações pouco exploradas, Carneiro está sempre disposto a desenvolver projetos. A Colorado acaba de lançar um novo rótulo inspirado nos biomas brasileiros. A Gabiru, uma American IPA, leva gabiroba, fruta típica do cerrado.

Depois de investir na abertura do Bar do Urso, com 11 unidades em São Paulo (SP), vislumbrou a ideia de abrir um bar conceito em Ribeirão Preto, onde tudo começou. Desde março de 2018, a Toca do Urso é o novo point dos cervejeiros. No bar, o cliente pode carregar um cartão com a quantia que quiser e se servir nas torneiras das chopeiras, sem garçons, sem comanda, sem fila para pagar a conta na hora de ir embora.

De acordo com Carneiro, tudo está ligado à proposta de fazer com que as pessoas se surpreendam mais com aquilo que não estão acostumadas.

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Toca do Urso foi inaugurada em fevereiro deste ano em Ribeirão Preto, SP (Foto: Divulgação)

Você começou sua trajetória na cerveja em 1996. Diz ter sido chamado de louco. Qual foi o maior desafio encontrado naquela época e o que o levou a persistir na ideia?

Desde o início eu tinha a vontade de fazer algo diferente. O mercado de cervejas artesanais era quase inexistente naquela época. Poucas pessoas no Brasil conheciam e consumiam este tipo de cerveja. É fato que o brasileiro é um dos maiores consumidores de cerveja do mundo, mas não tinha o costume de apreciar e buscar novos sabores. Algo estava começando a mudar, e semelhante ao que vimos com o vinho, chocolate e queijos, começaram a surgir rótulos importados no mercado, assim como pessoas produzindo sua própria cerveja e o aumento do poder aquisitivo. Esses fatores contribuíram para que o negócio desse certo.

O maior desafio foi mostrar que cerveja pode ter diversos ingredientes e representar a região que está inserida. Fizemos com que o consumidor entendesse que ao adicionar outros ingredientes como mandioca, rapadura e mel, poderia gerar bebidas incríveis, sem alterar a essência de uma boa cerveja.

Você produziu a primeira IPA do Brasil. Quais eram suas expectativas na época e o que o motivou a fazer uma cerveja tão “estranha” ao paladar brasileiro?

Há 20 anos fui para a Califórnia e tomei minha primeira Indian Pale Ale, a Blind Pig, 'Porco Cego' na tradução literal, que existe até hoje. Quando voltei estava com muita vontade de investir no mercado cervejeiro e comecei em Ribeirão com um modelo bastante diferente do que estava sendo feito no Brasil. Na época, o mais comum eram cervejarias focadas no estilo alemão, com cervejas Bock e de Trigo, mas meu desejo era fazer algo diferenciado, que trouxesse todos aqueles sabores e estilos que conheci lá fora. Assim criei a minha própria IPA, a IPA da Colorado, com um toque típico brasileiro: a rapadura.

A cerveja artesanal é uma moda no Brasil ou ela veio para ficar?

Veio para ficar e cresce anualmente. O consumidor procura cada vez mais novas experiências e sabores diferentes. É um mercado que tem um grande potencial e fico muito feliz em ver outras cervejarias nascendo, se desenvolvendo, ganhando medalhas, cada uma com seu estilo próprio de fazer cerveja, ajudando o nosso mercado a crescer e elevando a categoria das cervejas artesanais.

Como nasceu o símbolo do urso e o lema ‘desiberne’?

O urso, símbolo da marca, nasceu de boas conversas com o time que esteve desde o início da cervejaria. Queríamos ter um símbolo para a marca e olhando para tudo o que envolveu a criação da Colorado, importação de tanques de cerveja, busca por ingredientes, chegamos no urso, que é resultado de muitas histórias e gente envolvida.

“Desiberne” é um convite às pessoas para perceberem diferentes possibilidades por trás de cada momento da vida, desde os mais rotineiros, mostrando que existe um mundo surpreendente além daquilo que estamos acostumados. Isso vai ao encontro das nossas cervejas que sempre tem ingredientes diferenciados e típicos, como mel, mandioca, rapadura e frutas silvestres.

Como foi a negociação com a Ambev até chegar à venda? Você acredita que outros fabricantes vislumbram esse caminho?

As negociações com a Cervejaria Bohemia, da Ambev, começaram após a parceria com a Cervejaria Wäls. Pude ver que a parceria estava contribuindo para o fortalecimento e crescimento da marca. Além disso, compartilhamos essa paixão pela cerveja, com ingredientes e receitas que valorizam nosso país, e isso tudo é demonstrado pelo portfólio de ambas: a Colorado com rótulos que levam ingredientes brasileiros como mandioca, rapadura e café, e a Cervejaria Bohemia com todo seu trabalho e pioneirismo. Juntos, reunimos conhecimento, tradição, inovação, excelência e brasilidade.

Você é um entusiasta do aproveitamento de ingredientes tipicamente brasileiros (artesanais, naturais) nas cervejas da Colorado. Por quê?

Sou um entusiasta do Brasil, o celeiro do mundo! Precisamos valorizar o que é nosso e levar isso para o máximo de pessoas possível. Temos ingredientes de excelente qualidade, frutas que poucas pessoas conhecem e com sabores incríveis e que são insumos interessantes para as nossas cervejas.

O segmento cresce no Brasil, apesar das dificuldades econômicas. O que você acha que leva tantas pessoas a apostar na produção de cerveja atualmente?

Sinto as pessoas cada vez mais interessadas em novas experiências, valorização de ingredientes e tudo isso somado ao fato do mercado estar cada vez mais profissionalizado, criando cervejas inovadoras. Tem aumentado o número de fãs deste tipo de bebida, fazendo com que ele cresça mesmo diante da crise econômica.

Você deve ser facilmente abordado por pessoas interessadas em saber a fórmula para uma cervejaria de sucesso. O que costuma dizer aos candidatos ao negócio?

Acho que o principal é entender que não se trata apenas de um hobby. Tem que ser apaixonado por cerveja e pelo dia a dia de uma cervejaria, que muitas vezes está repleto de desafios. Mesmo com a receita, não é fácil fazer. Adoro conversar com o pessoal sobre a produção de cerveja e sempre que posso, dou dicas para ajudar.

Fonte: G1 – 02/09/2018

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