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Pesquisador da Embrapa, Euclydes Minella garante: o lúpulo nacional é viável, mas as produções extensivas vão demorar para se consolidar

Embora o malte brasileiro tenha tanta qualidade quanto qualquer outro estrangeiro, a produção de cevada sofre com questões internas que dinamitam a oportunidade de praticamente dobrar a sua capacidade. É o que garante Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo e uma das principais referências nacionais no cultivo de grãos cervejeiros.

Em entrevista ao Guia da Cerveja, Minella revela os problemas dessa improdutividade. “Como o negócio é totalmente privado e concentrado, o aumento da capacidade industrial depende de pesados investimentos na construção de novas plantas”, aponta.

O especialista fala com a experiência de quem trabalha há décadas com o tema. Pesquisador da Embrapa Trigo desde 1975, período em que gerou e transferiu conhecimentos e tecnologias na área de agronomia e melhoramento genético de cereais de inverno, com ênfase em cevada, Minella cursou doutorado na Cornell University, nos Estados Unidos, onde estabeleceu a base genética da tolerância ao alumínio tóxico em cevada, fator limitante à expansão e à produção da espécie em regiões de solos ácidos.

E, com base nessa experiência, o pesquisador avalia também a queda na produção de cevada em 2017 e os seus impactos ao mercado brasileiro. Fala, também, sobre o sonho de produzir o lúpulo nacional. E garante: é possível, sim, embora estejamos distantes.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo.

Qual a qualidade atual do malte brasileiro? Temos o mesmo nível de malteação e de qualidade de grãos do que os principais países desse mercado?
A qualidade do malte saindo das maltarias brasileiras é tão boa quanto a dos maltes importados com os quais temos que competir para acessar o mercado cervejeiro nacional. Certamente, para atingir esta qualidade, nossas maltarias aplicam a mesma tecnologia dos exportadores que importam cevada de qualidade competitiva. O malte comercializado tem que atender as especificações dos cervejeiros, que em geral seguem padrões internacionais.

Quais os principais entraves na produção nacional de malte/grãos e o que tem sido feito para destravá-los?
Na produção de malte existe espaço para praticamente dobrar a capacidade atual. Como o negócio é totalmente privado e concentrado, o aumento da capacidade industrial depende de pesados investimentos na construção de novas plantas e da competitividade para concorrer com o custo-benefício de outras alternativas de negócios. A expansão tem ficado apenas com os fabricantes atuais, sem a participação de novos investidores.

Embora a área cultivada de cevada no Brasil tenha aumentado quase 30% entre 2016 e 2017, a produção caiu 24,5%. O que explica a discrepância entre esses números?
Trata-se do efeito de condições adversas de clima para a cevada, frequentes na região de concentração da produção (Região Sul). A safra de 2016 foi excelente, mas a de 2017 foi abaixo da produtividade média esperada.

Como essa queda afetou o mercado cervejeiro?
Na verdade, a produção interna de cevada não afeta o mercado cervejeiro, uma vez que a indústria tem como suprir a queda aumentando a importação. A queda de produção afeta sim os produtores, que poderão amargar prejuízos em anos desfavoráveis.

E como essa queda pode ser enfrentada?
Uma maneira de acelerar o aumento da capacidade de malteação seria o incentivo a investidores independentes da indústria de cerveja, como cooperativas, e outros investidores do agronegócio.

O que é preciso para produzir um lúpulo brasileiro em larga escala?
É preciso adaptar as condições de solo e clima de um país de clima tropical/subtropical, menos favoráveis do que as do clima temperado, onde a maior parte do lúpulo é produzido.

É possível hoje sonhar com o cultivo desse lúpulo nacional?
Baseado nas experiências de produção em andamento em várias regiões do país, principalmente pelo segmento da cerveja artesanal, acredito, sim, ser possível produzir lúpulo internamente. Entretanto, produções extensivas vão demorar muito para se consolidar, devido à falta de pesquisa com a espécie por aqui. Praticamente inexiste pesquisas fora do setor privado.

Fonte: Guia da Cerveja – 17/07/2018

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