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A cervejaria Baden Baden reservou 60 quilos da planta seca para produzir o segundo lote da cerveja Märzen. A colheita está prestes a começar. Fora isso, a Heineken continua sem se manifestar a respeito das pesquisas e produção experimental desse lúpulo brasileiro, como já foi contado por aqui.

lúpulo mantiqueira cervesia

Principal responsável pelas pesquisas com o Mantiqueira, o engenheiro agrônomo Rodrigo Veraldi conta ter sido procurado pelo mestre cervejeiro da Baden Baden, Edilson Tonon. Ele quem fez a reserva do lúpulo que está para ser colhido. A entrega está prevista para o início de abril.

Tonon foi um dos poucos funcionários da Brasil Kirin mantido na empresa pela Heineken. A cervejaria holandesa comprou a nipo-brasileira em fevereiro do ano passado. Desde 2013, a Brasil Kirin apoia as pesquisas com o lúpulo Mantiqueira, por intermédio da marca Baden Baden, do portfólio do grupo. A cervejaria fica em Campos do Jordão (SP), distante cerca de 30 Km do sítio de Veraldi, em São Bento do Sapucaí.

Segundo o agrônomo, a reserva feita pela Baden Baden acendeu o sinal verde para a negociação do excedente de produção. Veraldi informa que a estimativa é colher 350 quilos de lúpulo Mantiqueira seco. Atualmente, produtores de oito cidades estão envolvidos nesse processo.

“Apesar da Heineken não se manifestar, temos um contrato assinado com a Brasil Kirin, de antes da compra. Por esse documento, temos que atendê-los de forma prioritária, porém, nada nos impede de negociar a colheita com outras cervejarias. Acredito que a Heineken vai deixar vencer o contrato e deixar o assunto para lá. Neste caso, nós produtores vamos avançar com outros projetos”, conta Veraldi.

Ele adianta que iniciou conversas com uma empresa de insumos para distribuir o Mantiqueira, no Brasil. Além disso, amostras desse lúpulo brasileiro serão enviadas para uma cervejaria norte-americana que pretende incrementar sua produção com a utilização de lúpulos de “locais exóticos”.

Veraldi acredita que a Baden Baden vai repetir o que fez ano passado: produzir 10 mil litros da Märzen para ser lançada no final de abril ou início de maio. O primeiro lote da “cerveja produzida 100% com lúpulo nacional” acabou em 20 dias.

Independente do apoio às pesquisas, o agrônomo afirma que o trabalho com o Mantiqueira seguirá. Segundo ele, o grupo envolvido no projeto é unido. Preservar a genética da planta é a grande prioridade.

“Temos que avaliar a quantidade e qualidade da próxima colheita para seguirmos com nossos planos. Mas está claro que o produto tem potencial de mercado. E não me refiro somente ao Mantiqueira. Tem muita gente plantando lúpulo no Brasil. Não importa se é de variedade que vem do exterior. O fato é abrimos o caminho. Esse papo que não é possível cultivar lúpulo no Brasil está ultrapassado”, afirma Veraldi.

Faz parte dos seus planos, também, criar uma associação para implantar uma espécie de bolsa de lúpulo brasileiro, de diversas origens. Vale explicar: o Mantiqueira é uma variedade nacional. Os de fora, ao se adaptarem ao país, adquirem características territoriais dos diversos tipos de solo brasileiro e, portanto, se tornam também lúpulos brasileiros.

Esse projeto, porém, ainda é de longo prazo. Ele observa que caberá aos produtores tocarem as pesquisas. Agora, as atenções terão que se voltar para a pós-colheita, como manejo e armazenamento. Segundo o agrônomo, essa fase vai representar “um novo aprendizado” para os produtores brasileiros.

Atualmente, o Brasil importa o corresponde a R$ 65 milhões em lúpulo. A produção nacional da planta, na opinião de Veraldi, pode vir a ser uma opção de trabalho e renda para pequenos e médios produtores rurais, em todo o país. Isso porque, segundo ele, em uma área de 2,5 mil metros quadrados é possível ter até 500 plantas e a estimativa de retorno para o investimento é de até dois anos.

“Nosso lúpulo está cada vez melhor. E não me refiro somente ao Mantiqueira. A Kirin estava fazendo um bom trabalho e teve um ótimo retorno. A utilização de lúpulo nacional agregou valor à cerveja. Se a Heineken não quer isso, quem perde é a empresa. Com o fim do contrato, retomarei a patente do Mantiqueira. Com isso, vou me empenhar para que o pequeno produtor tenha acesso a essa planta para gerar renda para o campo. No meu sítio, tenho um viveiro e já estou desenvolvendo outras variedades do Mantiqueira, a partir de cruzamentos com lúpulos americanos. Não vamos parar nossas pesquisas”, afirma Veraldi.

Fonte: Brewfeed – 24/02/2018

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