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Numa das quatro salas de cozimento da enorme fábrica do Grupo Schincariol, uma placa diz, em alemão: "Hopfen und Malz, Gott erhalt’s." O mestre cervejeiro Ruben Froemming explica: "É um antigo provérbio dos cervejeiros que diz que, desde que haja malte e lúpulo, Deus protege." A Schincariol, a segunda maior cervejaria do Brasil, pode precisar de toda a proteção que conseguir. No ano passado, a empresa conseguiu um crescimento espetacular no mercado brasileiro — que movimentou US$ 3,4 bilhões e ficou de maneira geral estagnado - graças a uma campanha de marketing bem-sucedida, onde, em apenas seis meses, sua fatia de mercado pulou de 10% para 15%. Mas seu crescimento repentino despertou seus rivais, que iniciaram um contra-ataque que incluiu táticas tão agressivas quanto roubar o garoto-propaganda da Schincariol.

De um lado, a Schincariol sofre a pressão da antiga rival AmBev, que está ainda mais forte graças à fusão de US$ 10,7 bilhões com a belga Interbrew SA que deu origem à InBev SA. Por outro, ela enfrenta a ameaça crescente da combalida mas persistente subsidiária brasileira da canadense Molson Inc., que fabrica a Kaiser e recentemente contratou Fernando Tigre, um executivo famoso por recuperar empresas com problemas, em parte para se defender do ataque da Schincariol.

Para complicar ainda mais, os mexicanos estão chegando. A Fomento Económico Mexicano SA, ou Femsa, fabricante da Sol, recentemente disse que planeja ser mais agressiva na tentativa de abrir espaço para suas cervejas na América do Sul por meio da Panamco, a engarrafadora de Coca-Cola que adquiriu recentemente. Os desafios enfrentados pela Schincariol mostram como é difícil para uma empresa familiar ter sucesso na economia brasileira, cada vez mais aberta e competitiva. A estratégia da empresa é brigar com a InBev nos órgãos de defesa da concorrência, continuar a investir mesmo agora que o mercado de cerveja anda meio aguado, e evitar dívidas. A Schincariol alcançou uma fatia de 15,3% do mercado em dezembro de 2003, mas já perdeu terreno desde então. Segundo a AC Nielsen, que acompanha as estatísticas do setor, a empresa tinha 13% do mercado em agosto, contra 66,4% da AmBev e 10,7% da Molson. Outros desafios podem morder ainda mais os ganhos recentes da empresa. Depois de anos perdendo mercado, a Kaiser recentemente contratou Fernando Tigre, de 60 anos, que presidiu a São Paulo Alpargatas na década de 90 e fez história no marketing brasileiro ao transformar as Havaianas de chinelos baratos em calçados coloridos e cobiçados. E há a Femsa. Sua subsidiária, a Coca-Cola Femsa, comprou a Panamerican Beverages no ano passado, tornando-se a segunda maior engarrafadora da Coca-Cola do mundo e a maior da América Latina. Alguns observadores do setor dizem que as demonstrações de interesse no mercado sul-americano podem ser apenas um tiro de alerta para dissuadir a InBev de se aventurar no mercado mexicano. Mas menor não quer necessariamente dizer mais fraco. A Schincariol, que banqueiros de São Paulo estimam valer entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, não sofre as mesmas pressões que suas rivais de capital aberto. Uma vantagem: a empresa pode reinvestir todo o seu caixa em novas fábricas.

"Nossa filosofia é: empresa rica, acionistas pobres", diz José Francischinelli, diretor financeiro da Schincariol, de 55 anos, acrescentando que a estratégia é trabalhar com "o mínimo de dívidas possível". Sob a batuta de seu jovem diretor-presidente, que trabalhou em diversos departamentos da Schincariol desde que tinha 17 anos, a empresa decidiu construir sua sétima fábrica. A construção de uma oitava deve começar no fim deste ano. Dois terços do financiamento para novos investimentos vem do BNDES, que oferece empréstimos de longo prazo a juros baixos. A Schincariol também está fazendo bastante barulho no fronte legal em relação a sua arquiinimiga, a AmBev. Depois de muita pressão da Schincariol, o Ministério da Justiça está investigando práticas da AmBev que estariam limitando a concorrência. A Schincariol também quer restrições à aliança AmBev-Interbrew, e está levando suas queixas aos órgãos reguladores por meio de um escritório de advocacia do interior de São Paulo, a Camargo Silva Dias de Souza. "Fazemos a parte invisível da guerra publicitária", diz Vinicius Camargo Silva, de 30 anos, um sócio da firma. "Quando há uma propaganda que consideramos difamatória, garantimos que ela saia do ar."

Fonte: O Estado de São Paulo (The Wall Street Journal)

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