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Em meio a ameaças de racionamento para indústrias e consumidores residenciais abastecidos por reservatórios administrados pela Sabesp, ao menos uma indústria não prevê cortes no fornecimento de água: a de cerveja. De acordo com a apuração do jornal O Estado de S. Paulo, as grandes empresas do ramo, responsáveis por mais de 90% da produção total, só instalam fábricas em locais onde o abastecimento próprio de água é garantido.

Mercado EfluenteCervejeiro 2015 FevUma das razões para as companhias usarem a própria fonte, além da garantia de abastecimento, é a qualidade da água. As fábricas têm também as próprias estações de tratamento para que o produto não sofra alterações de sabor ou contaminação. Para lavar vasilhames, as cervejarias usam água de reúso. Em algumas situações, as companhias também usam água descartada pelo sistema público, após novo tratamento.

Os aquíferos usados pelas cervejarias de grande porte vão permitir que as empresas tenham água mesmo quando parte da população estiver com as torneiras secas. Já os pequenos negócios do ramo - as cervejarias artesanais - podem sofrer. "São os pequenos negócios que vão enfrentar a escassez e a alteração da qualidade da água, fatores que podem influenciar em seu produto", diz um consultor da área de bebidas, que pediu para não ser identificado.

Em fábricas de gigantes como a Ambev, que domina 70% do mercado, o abastecimento costuma ser feito por captação em águas profundas a cerca de 250 metros de profundidade. Na maioria dos casos, a autoridade responsável - no caso de São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) - concede uma outorga não onerosa às indústrias para captar água de uma fonte determinada.

Em comunicado, a Ambev afirmou que a economia de água é uma preocupação constante. Entre 2002 e 2013, a Ambev afirma ter reduzido em 38% o uso de água em seus processos industriais. A Associação Brasileira da Indústria de Cerveja (CervBrasil), afirmou, em nota, que a maior parte das 53 fabricantes do produto no País está localizada em áreas hoje não ameaçadas de racionamento.

"As fontes de água outorgadas às indústrias podem ficar disponíveis por décadas desde que seja respeitada a capacidade de vazão da fonte", diz Sérgio Werneck Filho, presidente da Nova Opersan, que se dedica a criar sistemas de captação e gestão da água para indústrias. Segundo ele, empresas de diversos segmentos se mostram mais preocupadas com a questão da água.

Fonte: O Estado de S. Paulo – 03/02/2015

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