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Em uma conferência do setor cervejeiro realizada no ano passado no Arizona, um jornalista perguntou a Alan Clark se seria viável para a Anheuser-Busch InBev (AB Inbev), uma empresa de alto poder aquisitivo e a maior fabricante de cerveja do mundo, tentar adquirir a SABMiller, a segunda maior.

"Você pode pôr os números para trabalhar", disse Clark, que tinha assumido havia nove meses o cargo de executivo-chefe da SABMiller. "Haveria uma perda de valor e uma destruição de valor porque eles sabem que teriam de vender as operações nos EUA de qualquer maneira", acrescentou, com uma franqueza incomum para um alto executivo.

Fazer os números trabalharem é exatamente o que vai determinar se os acionistas da SABMiller concordarão com uma aquisição, depois de a companhia ter sido abordada nesta semana pela AB InBev, fabricante da cerveja Budweiser. Os termos do negócio - que pode criar uma companhia de US$ 275 bilhões - ainda não foram revelados.

Convém salientar que a AB InBev não terá de fazer muitas visitas a acionistas da SABMiller porque 42% da companhia está nas mãos de apenas dois investidores. Para a AB InBev, convencer a Altria - fabricante americana de tabaco, que detém 27% do capital da empresa -, e a bilionária família colombiana Santo Domingo, com 15%, sobre os méritos do negócio será ter mais da metade da batalha ganha.

A AB InBev não deveria negligenciar os pontos de vista de seus próprios acionistas. "Ao preço de hoje da ação, o negócio não funciona para mim porque não agregará valor. Só haverá pequenos ganhos, o que não faz um negócio valer a pena", disse um dos 50 maiores investidores da AB InBev.

A SABMiller se transformou em alvo por vários motivos. Primeiro, há o impulso do trio de grandes acionistas brasileiros da AB InBev - Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira -, que veem as aquisições como motor do crescimento.

Os três têm experiência em private equity e são também os cofundadores da 3G Capital Partners, a firma de investimentos que vem comprando ativos do setor de alimentos nos Estados Unidos, como a Heinz e a Kraft.

Em segundo lugar, a AB InBev já é uma grande companhia, com receitas anuais de US$ 45 bilhões, de modo que ela precisa de uma aquisição substancial para ganhar ainda mais escala. Tais oportunidades são raras: das três fabricantes de cerveja que ficam logo abaixo da AB InBev - SABMiller, Heineken e Carlsberg - a SAB é a única potencialmente disponível para venda.

A Heineken tem controle familiar e recusou uma tentativa de aquisição da SABMiller no ano passado, enquanto a Carlsberg é protegida por uma fundação. A exposição desta fabricante dinamarquesa de cerveja ao volátil mercado russo, que vem afetando os lucros, não a torna atraente para a AB InBev.

Estrategicamente, analistas acreditam que a SABMiller é uma boa opção para cervejaria belgo-brasileira porque mais de 70% de suas vendas são realizadas em mercados emergentes. Esse perfil complementa a inclinação parecida da AB InBev pelas Américas.

Além dos Estados Unidos e da China, há pouca sobreposição territorial significativa, o que pode explicar em parte por que a SABMiller há muito tempo vem sendo alvo de rumores de compra pela AB InBev.

O "timing" também tem sua participação. Antes da confirmação da abordagem, as ações da SABMiller eram negociadas a um preço 21% menor que 37,68 libras, o nível mais alto registrado no ano passado. Elas subiram em parte por causa dos rumores de que a AB InBev tentaria fechar o negócio.

Desde então, a ação caiu, acompanhando os rebaixamentos dos mercados emergentes, tornando a companhia mais acessível para a AB InBev. "Pode ser também que os acionistas controladores da AB InBev acreditem que a grande queda dos mercados emergentes está sendo excessiva, especialmente no que diz respeito ao câmbio, e que os ganhos em dólares da SAB, e assim o preço de sua ação, estão artificialmente deprimidos", disse Trevor Stirling, analista da Bernstein. "Em resumo, o momento é bom para a compra de ativos de mercados emergentes de alta qualidade."

A AB InBev tentará extrair sinergias significativas - que Robert Ottenstein, analista da Evercore, estima em até US$ 2 bilhões - via uma ligação com a SABMiller, e a escala do novo grupo cervejeiro poderia dar a ela um maior poder de compra no mercado de cervejas.

"Não vemos como a SABMiller poderá se defender de maneira plausível da abordagem da AB InBev de uma maneira que agregue mais valor para os acionistas", diz Andrea Pistacchi, analista do Citigroup. (Tradução de Mario Zamarian)

Fonte: Valor Econômico – 18/09/2015

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