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O Japão é um dos poucos grandes mercados de cerveja onde nem a Anheuser-Busch InBev NV nem a SABMiller PLC têm uma presença significativa, mas uma combinação das duas gigantes pode impulsionar o setor cervejeiro do país.

Depois da divulgação das negociações para uma potencial fusão entre a AB InBev e a SABMiller na quinta-feira, as ações das duas maiores cervejarias japonesas, a Asahi Group Holdings Ltd. e a Kirin Holdings Co., subiram 3% e 2%, respectivamente — ultrapassando o ganho de 1,4% do Índice Nikkei — num sinal de que os investidores esperam que a potencial megafusão possa agitar um setor que enfrenta problemas.

Os consumidores de cerveja do Japão preferem as marcas locais como a Asahi Super Dry ou a Kirin Ichiban às importadas como Budweiser ou a Miller, e as quatro principais cervejarias do Japão — Asahi, Kirin, Suntory Holdings Ltd. e a Sapporo Holdings Ltd. — possuem, juntas, uma fatia de mais de 90% do mercado interno em volume, segundo a Euromonitor International. A Kirin e a Asahi, por sua vez, possuem apenas uma fatia de 2,3% e 1,2% do mercado global, respectivamente, ocupando a nona e a décima posições, segundo o Euromonitor.

O tamanho importa na produção de cerveja em função da economia de escala na aquisição de matérias-primas, distribuição, marketing e outras áreas. As maiores empresas possuem uma fatia desproporcionalmente grande dos lucros do setor, dizem analistas, o que estimula a consolidação de uma indústria em que os consumidores permanecem fiéis às marcas locais mesmo se elas pertencem as multinacionais de fora. Entre essas marcas estão a Brahma, no Brasil, e a Sedrin, na China, ambas da AB InBev, e a Castle, na África do Sul, da SABMiller.

Em busca de escala global, as cervejarias japonesas estão em desvantagem porque sua população local está diminuindo e envelhecendo; a população japonesa caiu por quatro anos consecutivos, segundo dados do governo, e o número de pessoas acima de 65 anos é hoje mais que o dobro do de crianças menores que 15. Os consumidores também estão adquirindo o hábito de degustar vinhos e outras bebidas. As quatro maiores do setor estão fazendo o que podem para manter a cerveja como um produto desejado entre um número cada vez menor de jovens adultos no Japão. Elas abriram quiosques que vendem cervejas em parques, compraram cervejas artesanais populares e encheram o metrô de Tóquio com publicidade.

Ainda assim, o volume de cerveja vendida no Japão caiu de mais de sete bilhões de litros anuais há 15 anos para cerca de seis bilhões de litros em 2014, segundo o Euromonitor. Nos últimos dez anos, o consumo de vinho cresceu cerca de 40%, de acordo com estatísticas do governo.

Analistas dizem há muito tempo que uma consolidação é necessária. Negociações de fusão entre a Kirin e a Suntory fracassaram em 2010, porque elas não conseguiram resolver diferenças na cultura corporativa e questões sobre quem controlaria a empresa resultante da fusão. Analistas dizem que uma união entre a AB InBev e a SABMiller poderia renovar a pressão por mais consolidação das cervejarias japonesas.

As empresas japonesas também estão tentando crescer no exterior através de aquisições. Em agosto, a Kirin concordou em comprar uma participação de 55% na Myanmar Brewery da Fraser & Neave Ltd. , com sede em Cingapura, o negócio mais recente de uma série. A Asahi também tem expandido seu portfólio internacional e é dona hoje de uma fatia de 20% na Tsingtao Brewery Co. , da China.

Mas negócios modestos como esses não são suficientes para acompanhar as potências globais, sem falar no potencial colosso que seria criado se a AB InBev comprar a SABMiller.

Os analistas ressaltam que não está claro se as cervejarias japonesas têm conseguido obter algum benefício de suas participações internacionais amplamente dispersas.
“É difícil dizer se todas as aquisições no exterior tiveram êxito”, diz Makoto Morita, analista da Daiwa Securities.

Uma fusão entre os dois líderes de mercado mundial de cerveja poderia criar alvos de aquisição para outros compradores, entre eles as cervejarias japonesas. Analistas dizem que a AB InBev e a SABMiller provavelmente teriam que vender parcelas consideráveis de seus portfólios de marcas em alguns mercados, como nos Estados Unidos, para conseguir aprovação dos reguladores de concorrência.

“Para conseguir aprovação das autoridades antitruste, elas teriam que vender alguns de seus ativos e, como consequência, as maiores empresas japonesas podem considerar esses ativos como uma boa oportunidade de aquisição”, diz Morita.

Os porta-vozes da Kirin, Sapporo, Asahi e Suntory não quiseram comentar. Embora as ações da Kirin e da Asahi tenham registrado um aumento na semana passada, analistas dizem que é improvável que as cervejarias japonesas se tornem alvos de aquisições, considerando sua forte dependência de um mercado doméstico que está encolhendo.

No momento, “os fabricantes japoneses não são muito atraentes para as gigantes globais”, diz Mariko Takemura, analista da Euromonitor.

Fonte: Valor Econômico / WSJ – 21/09/2015

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