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A proposta de fusão entre a Anheuser-Busch InBev (AB InBev) e a SABMiller pode ter dois efeitos negativos para a Ambev: uma mudança no seu quadro acionário, com aumento da participação dos sócios controladores, e a elevação no seu nível de endividamento. A perspectiva para o futuro da Ambev teve impacto negativo sobre as ações da companhia, que fechou o pregão de ontem na BM&FFBovespa em queda de 5,50%, para R$ 18,70.

O analista sênior da casa de análises Morningstar, Philip Gorham, considera que a fusão abre oportunidade para os controladores da AB InBev - Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, da 3G Capital - ampliarem a participação acionária na Ambev."É muito provável que a AB InBev negocie as operações latino-americanas da SABMiller para obter uma participação maior na Ambev", afirmou Gorham. Em outras palavras, a AB InBev poderia incluir as operações da SABMiller na Colômbia e em outros países dentro da estrutura da Ambev, em troca de aumentar a participação acionária na subsidiária brasileira, atualmente de 61,9%.

Trevor Stirling, analista sênior da Bernstein Research, também considera possível uma mudança na composição acionária da Ambev, como reflexo da fusão das companhias. Outra opção seria a AB InBev revender para a Ambev os ativos adquiridos da SABMiller, sem mudança no quadro acionário da subsidiária brasileira. "Isso poderia valorizar a Ambev, mas implicaria perda de valor para os controladores da AB InBev, uma vez que quase 40% da valorização teria que ser compartilhada com acionistas minoritários da brasileira", avalia Stirling.

O analista também considera que a venda dos negócios da SABMiller na América Latina para a Ambev a um preço alto poderia deprimir o preço da ação da Ambev. Ele observou que, na formação da InBev, quando a Ambev absorveu a canadense Labat, o preço da ação da Ambev teve queda inicialmente, mas apresentou recuperação mais tarde, à medida que a operação registrou melhora nas margens de lucro.

O Credit Suisse mantém previsão de que incorporação da SABMiller na América Latina pela Ambev eleva o nível de endividamento líquido da brasileira para 3,2 vezes o seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). No ano passado, a Ambev registrou uma geração livre de caixa de R$ 7,71 bilhões. A união dos negócios na América Latina também provoca, de imediato, uma redução no nível de rentabilidade da Ambev. Na América Latina, SABMiller opera com uma margem Ebitda de 33%, enquanto a margem da Ambev é de 41,6%.

Jonny Forsyth, analista da consultoria Mintel, considera que a presença da SABMiller em países latino-americanos como Peru, Colômbia e Equador complementa o domínio que a AB InBev possui no Brasil e na Argentina. "Essa complementaridade vai deixar o novo grupo com muita margem para ganhos de eficiência na região", afirmou o analista.

No ano fiscal encerrado em 31 de março de 2015, a América Latina foi o principal mercado para a SABMiller, tendo sido responsável por geração de US$ 2,22 bilhões de Ebitda, o equivalente a 35% do Ebitda global da companhia. A Ambev encerrou o mesmo período com Ebitda ajustado de R$ 19,3 bilhões (US$ 5,1 bilhões). O analista considera possível para a Ambev elevar a margem Ebitda da operação da SABMiller na América Latina para os níveis que a empresa brasileira alcança atualmente.

Oficialmente, a AB InBev ainda não informou como pretende incluir a Ambev no processo de fusão. Em setembro, a companhia informou que a brasileira não está envolvida diretamente na fusão. No comunicado da oferta feita à SABMiller ontem, mencionou que pode fazer uso de subsidiárias para consolidar os negócios. A junção dos negócios daria à Ambev 61% do mercado de cerveja da América Latina, com venda anual de 32 bilhões de litros de cerveja. A Heineken é a segunda na região, com 13% do mercado, de acordo com a Euromonitor International.

Fonte: Valor Econômico – 15/10/2015

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