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A cervejaria holandesa Heineken, terceira maior cervejaria do mundo atrás da Anheuser-Busch InBev (AB InBev) e a SABMiller, vem crescendo a um ritmo de dois dígitos no Brasil e precisa ampliar a produção, de olho no longo prazo.

Para isso, Didier Debrosse, presidente da Heineken no país há dois anos, decidiu deslanchar um investimento de R$ 1 bilhão, que permitirá ampliar a capacidade de produção dos 19 milhões de hectolitros atuais para 25 milhões de hectolitros até 2018.

O plano, a ser anunciado ao mercado amanhã, inclui a instalação de uma nova fábrica em Itumbiara (GO) - será a sétima da empresa no Brasil -, com aporte de R$ 650 milhões.

"Nós acreditamos no Brasil a longo prazo", disse Debrosse ao Valor, que está na Heineken há 28 anos. Antes disso, este francês nascido na fronteira com a Alemanha, trabalhou na Nivea e na Kraft. Nesta, cuidando de café. "Foi quando comecei a ouvir falar muito do Brasil. Mas eu nunca tinha viajado para a América do Sul. A primeira vez foi em abril de 2013, para procurar um lugar para morar em São Paulo".

Depois de oito anos trabalhando na matriz da Heineken, em Amsterdã, o comando lhe ofereceu duas opções, México ou Brasil. "Escolhi o Brasil porque o desafio é maior". Sobre a recessão brasileira, ele é taxativo: "Esqueça os próximos dois, três anos." A demografia, diz, é favorável à expansão do mercado de cerveja e a "classe C não vai querer voltar a ser D e E".

heinekennAs vendas da Heineken, nos nove primeiros meses de 2015, cresceram a um ritmo de dois dígitos no Brasil. Após 67 meses consecutivos de expansão, a cervejaria ultrapassou a Brasil Kirin, da japonesa Kirin, e tornou-se a terceira maior empresa de cerveja no mercado nacional, com 9,4% de participação de mercado.

Em 2014, a Heineken era a quarta colocada, com 6,7% de participação, atrás de Ambev (63,9%), Brasil Kirin (13,3%) e Cervejaria Petrópolis (11,5%). No segmento premium, segundo a companhia, a Heineken detém 18% do mercado.

O projeto de expansão no Brasil inclui a instalação de uma unidade fabril em Itumbiara (GO), com capacidade para processar 3,6 milhões de hectolitros, e investimentos de R$ 241 milhões para dobrar a capacidade da fábrica de Ponta Grossa (PR), de 2,6 milhões de hectolitros para 5,2 milhões de hectolitros. A unidade de Itumbiara vai fornecer cervejas para as regiões Centro-Oeste, Nordeste e para Minas Gerais.

O aporte inclui ainda um investimento, feito em outubro, de R$ 150 milhões na instalação de uma nova linha de produção em Jacareí, cuja capacidade da fábrica foi ampliada em 800 mil hectolitros/ano. Debrosse explicou que a companhia também vai fazer investimentos nas demais fábricas para que a empresa possa produzir todo o portfólio em qualquer unidade. Atualmente, a marca Heineken, por exemplo, só é produzida em Jacareí (SP) e Araraquara (SP).

As demais marcas são produzidas nas unidades de Ponta Grossa, Gravataí (RS), Feira de Santana (BA) e Paracatuba (CE). A Heineken possuía uma unidade fabril em Manaus para produção de Kaiser, mas foi fechada neste ano devido a sua baixa produtividade. "Estamos construindo um negócio. A empresa tenta ser o mais eficiente que consegue no equilíbrio de custos", afirmou Debrosse.

O plano da Heineken para o mercado brasileiro, diz o executivo, é consolidar as marcas que a companhia já possui no Brasil, principalmente a marca Heineken, considerada premium. A maior rival da empresa, Ambev, procura crescer no país com cervejas premium e bebidas à base de malte, conhecidas como "near beer". "Acredito em inovação e acredito no segmento 'near beer', mas me pergunto se esse segmento tem condições de crescer tão rapidamente quanto as cervejas premium", afirmou o executivo.

O segmento premium, que há dois anos representava entre 3% e 4% do mercado nacional de cerveja, cresceu para 7% a 9% das vendas totais neste ano. "Este mercado cresce muito rapidamente no Brasil", diz Debrosse. O consumo no Brasil desse tipo de cerveja é de 6,7 litros per capita por ano. Se forem considerados os demais tipos, são 68,6 litros per capita/ano, segundo dados da Euromonitor.

O investimento a ser anunciado pela Heineken é o maior feito pela companhia no Brasil desde a compra da divisão de cerveja da gigante mexicana de bebidas Femsa, por US$ 7,6 bilhões, em 2010. Antes disso, a Heineken atuava no Brasil com importação de cerveja. Com a compra da Femsa, incorporou as marcas Kaiser, Summer Draft, Bavaria, Xingu e Sol e suas fábricas.

Debrosse disse que, à época, a Heineken viu como principal vantagem na compra da Femsa a posição de liderança que a empresa possuía no mercado de cervejas do México. Desde então, a companhia fez investimentos de menor porte no Brasil, com foco nas áreas comercial, logística e de distribuição.

O executivo diz que as vendas da companhia são mais significativas nas regiões Sudeste e Sul, embora a empresa também tenha presença forte em capitais como Macapá, Manaus, Teresina e Fortaleza, principalmente com a marca Kaiser. "Eu e a Heineken acreditamos no Brasil. Agora é difícil saber para onde o país vai. Mas, no longo prazo, o país continua tendo uma oferta incrível de recursos, uma população grande, com uma classe média representativa", afirmou Debrosse. O executivo estima que o mercado de cerveja vai reaquecer em dois a três anos, após a melhoria das condições econômicas e políticas.

Fonte: Valor Econômico – 09/11/2015

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