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Em duas situações distintas nesta semana me fizeram perguntas parecidas, que podem elucidar bastante o entendimento das pessoas em relação às novidades cervejeiras que o Brasil tem apresentado.

Primeira pergunta: ”as cervejas cheias de ‘piração’ não fazem a bebida perder sua essência’? Ela foi feita a mim por um ouvinte da rádio 102.9 FM,  onde todas as sextas-feiras eu falo ao vivo sobre cervejas e respondo as perguntas feitas. Normalmente quem ouve é leigo no assunto, não tão conhecedor de cervejas diferentes. Esse ouvinte, ao fazer a pergunta, explicava que a adição de frutas, de ervas e especiarias lhe parecia muito exagerada. A isso ele deu o nome ‘ piração’. E a minha resposta, claro, foi que na verdade adicionar frutas, ervas, temperos é um retorno às origens da cerveja, passando por seus primeiros exemplares nas antigas civilizações, por gruit, Idade Média, Bélgica e etc.

Alguns dias depois, em outra situação, outra pessoa me perguntou: “estão inventando muita coisa para cerveja, não”? E cravou a sentença: tem muita cerveja ruim aparecendo!

As dúvidas me fizeram pensar em como os consumidores têm percebido e absorvido tantas novidades. Há um grande desconhecimento de causa, o que nos mostra que o trabalho está em não apenas oferecê-las, mas contextualizar historicamente a oferta. Para muita gente o movimento cervejeiro que se vê no Brasil é uma invencionice atual, não o resultado de uma existência milenar. Há um contingente, sim, de público conhecedor de cervejas especiais e diferentes, ávido por novidades. E há um outro contingente, maior do que o primeiro, que desconhece ainda a possibilidade de se tomar uma cerveja que não seja a American Lager de sempre.

Formação de opinião

Detesto o termo “formador de opinião” tão utilizado, banalizado até, hoje em dia. Muitas vezes me apontam como tal, inclusive me acusando de vender minhas opiniões. Ainda não recebi nem um só centavo por elas, mas continuo emitindo-as, porque, mesmo que o termo me desagrade, elas podem, (quem sabe?), ser úteis a quem busca respostas para todas as novidades que vê chegando ao mercado sem entender. É um momento, mais que nunca, de tentarmos suprir o público desconhecedor com informações embasadas. Informações, mais que opiniões. O conjunto delas é que vai modificar a percepção do público que enxerga com desconfiança as novidades e levá-lo a experimentá-las sem preconceitos. Achar que cervejas com frutas, com ervas, com especiarias é piração traduz perfeitamente a resistência o os preconceitos em relação à diversidade cervejeira.

Diversidade Cervejeira

Este é um bom termo, do qual tenho feito uso constante em minhas colunas na rádio, em minhas aulas no curso de sommelier de cerveja, em conversas com amigos. É o que há de mais fácil para explicar que podemos ver, convivendo na mesma prateleira, cervejas com ‘piração’ e cervejas tradicionais. Em ambos os casos o que deve ditar o que beber é ser a que mais agrada ao paladar de quem a escolhe. Sempre repito, não me canso, que a melhor cerveja é aquela que gostamos de beber. E é isso que tento mostrar a quem critica as novidades que aparecem. Não existe obrigação de gostar dessa ou daquela cerveja. Não existe obrigação de achar bom cerveja com ervas, ou com frutas, ou com especiarias. Assim como não existe obrigação de considerar boa apenas a cerveja que contém água, malte, lúpulo e levedura. Por que conviver com a preferência alheia se tornou tão difícil nos últimos tempos? Estamos evoluindo no respeito às saudáveis diferenças?

Análise de quem faz e entende a (ins) piração cervejeira

Um dos cervejeiros mais inspirados do Brasil, na minha humilde (e não comprada) opinião, chama-se André Junqueira (Cia Morada Etílica). Ele tem sido o lançador de novidades a cada ano no país, fazendo escola. Muitas vezes suas criações são adaptadas e seguidas por outros cervejeiros. Quem não se lembra da revolução no mercado provocada pela Hop Arabica? Lancei a mesma pergunta da ‘piração’ a ele. E eis a resposta, sem edição:

“Pra mim o que afasta é marketeiro cheio de história pra contar e nada pra apresentar no copo, o que afasta é a enxurrada de marcas e rótulos padrão “copy and paste” entulhando prateleira. Cerveja é cultura gastronômica, reflete a vontade das pessoas em explorar novas possibilidades. Cerveja só foi padronizada com as mega indústrias, isso não é “essência”. O que rola hoje é um resgate do que a cerveja foi por muitos séculos. Um reflexo das culturas gastronômicas locais”.

10 Cervejas-piração que valem a pena conhecer

1. Colombina Romaria 

Colombina é uma cervejaria do Goiás, que traz o Cerrado para dentro da garrafa. Os frutos do bioma mais interessante do Brasil estão presentes nos rótulos. Na Romaria, uma Belgian Dark Strong Ale, é possível experimentar o sabor da baunilha do Cerrado e da Mutamba.

2. Tupiniquim Saison de Caju

Não é uma novidade, já está no mercado há alguns anos, mas é uma forte representante da “piração” alegada na pergunta. Um fruto “travoso” como diz Alceu Valença, perfeitamente integrado a essa Saison, sequinha e refrescante. Poderia citar outros rótulos da Tupiniquim, que não se cansa de tentar novas possibilidades.

3. Koala Bad Motorfinger 

Outro geek do mundo cervejeiro, Koala San faz cervejas para agradar a si mesmo, depois ao público. E acerta! Esta é uma das cervejas mais gostosas que tomei nos últimos tempos. Tem o acréscimo de café extraído a frio e baunilha. A consistência cremosa faz a gente querer mais e mais dela.

4. Experimento Beer Saison Murici 

Não é apenas a utilização do fruto amazônico Murici que faz desta uma cerveja diferente. O trabalho feito em conjunto com cooperativas de pequenos produtores, valorizando o ecoextrativismo do estado de Tocantins tem um componente social importantíssimo, aliando sabor e cultura gastronômica local. É gostosa, acima de tudo!

5. Seasons Basilicow 

Ganhadora como a melhor cerveja brasileira em 2015, no Concurso Brasileiro da Cerveja, esta Wit leva manjericão. E não nega o elemento nem no aroma, nem no sabor.

6.  Japas Matsurika 

Elementos históricos, com a junção das culturas japonesa e brasileira, são o grande trunfo dessa cerveja. Feita pela cervejaria cigana Japas, formada apenas por mulheres nipo-descendentes, alia o tradicionalíssimo estilo Bohemian Pilsen às pétalas de jasmim, flor tão presente na cultura japonesa. É uma (ins) piração das mais delicadas!

7. Insana Pinhão 

Representa a cultura do Paraná, utilizando o fruto da araucária, consumido de diferentes maneiras no estado. Além do mais é de um estilo pouco produzido no Brasil, o Barley Wine, o que atiça ainda mais a curiosidade sobre ela.

8. Morada Hop Arábica 

Como dito aí acima, essa cerveja fez uma revolução no mercado ao ser lançada há alguns anos. American Blonde com café ainda não havia sido apresentada por ninguém! Um nó na cabeça de quem experimenta. Simplesmente deliciosa, sempre e para sempre.

9. Paraphernalia La Vie est Belle 

Cervejaria cigana brasileira, mas registrada nos Estados Unidos, a Paraphernalia criou esta American Blonde com mel e camomila. Outra piração delicada e saborosa, para provar que a essência está na construção de bons sabores.

10. Capa Preta Porter Berry 

Produzida pela pequena cervejaria de Nova Lima (MG), essa delícia leva framboesa vermelha in natura. Impossível não se encantar pela mistura, que lembra um bolo de chocolate com frutas vermelhas.

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Fonte: Blogs uai, por Fabiana Arreguy – 01/09/2016

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