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Sair com os amigos para bater um papo em um barzinho. Entrar no local, pedir o cardápio e ter de escolher entre seis ou sete marcas de cerveja nacional é algo que está ficando no passado das rodas dos adeptos de uma boa cervejinha em São Paulo.

O sotaque do “happy hour” já não é mais tão brasileiro, nem só inglês como no nome. A cada dia, vem ficando com mais cara belga, alemã, australiana, irlandesa, canadense, holandesa, francesa ou uruguaia. Uma infinidade de línguas que tornam alguns dos pedidos difíceis de serem pronunciados pelos clientes menos acostumados. É o caso da Westvleteren Trappist 8, cerveja belga feita em um mosteiro. A bebida é uma das 149 opções da carta de cervejas do bar Drake´s, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.

Apesar da possível dificuldade em pronunciar o nome, quem pede a cerveja precisa ter bastante certeza do que vai beber. Afinal, cada garrafa de 750 ml sai por nada menos que R$ 179. Quem pensa que esta é cerveja mais cara do bar se engana. Para apreciar uma garrafa da Golden Carolus Easter, também belga de 750 ml, o "degustador" terá de desembolsar R$ 199,90, o que representa, R$ 0,27 por cada mililitro ingerido. “Já vendi dez garrafas dessas”, conta o australiano Greigor Lucas Caisley, chef e sócio do bar criado há 3 anos.

Caisley diz que logo quando abriu a casa, a carta de cervejas era mais modesta. “Eu me interessava mais em vinho. Fui me interessando (por cerveja) aos poucos. Um amigo me apresentou algumas. Provei e gostei. De um ano e meio para cá é que a carta do bar começou a ficar bem grande.” Segundo o australiano, desde que o bar recebeu reforço na variedade de cervejas, o movimento de clientes aumentou em cerca de 25%.  “Elas representam hoje 20% do faturamento.”

Faturamento líquido e gelado

O faturamento de cervejas do Drake´s, que para Caisley é bastante expressivo, não é nem um dos maiores dos bares da nova moda. Pelo menos não em percentual. Instalado no primeiro sobrado construído na Avenida Angélica, uma bela casa de 100 anos restaurada na Zona Oeste de São Paulo, o Salommão tira mais da metade do seu lucro das fermentadas de cevada, trigo e aveia. “Hoje, 70% das bebidas vendidas no bar são cervejas e elas representam 70% do faturamento da casa”, conta Daniel Sampaio, um dos sócios do bar, ao lado das arquitetas Thelma Gasques e Vera Mattos.

Segundo Daniel, o local - criado em março de 2007 - já nasceu com a intenção de ser um boteco chique. A carta de cervejas começou com 12 rótulos importados e nove nacionais. Hoje conta com 22 importados e 22 nacionais. A cerveja mais cara da casa é Strong Suffolk, inglesa escura, que sai por R$ 21.

Padaria também tem cerveja por R$ 400

Mas nem só de bares sobrevive o reinado das cervejas sofisticadas. Na Zona Sul da capital, uma padaria também resolveu entrar no mercado da “preferência nacional”. Criada há pouco mais de dois anos, a Tortula tem cerca de 220 rótulos diferentes da bebida. “A gente sentiu que era uma oportunidade de sair do padrão empório, com uma grande adega de vinho. Resolvemos dar aos bebedores de cerveja a mesma opção que um apreciador de vinho tem hoje”, conta Manoel Antônio Paiva, um dos sócios do local.

Entre as centenas de garrafas distribuídas por meio das geladeiras e estantes, uma chama a atenção pelo tamanho e preço. A garrafa de 3 litros da Trippel Karmeliet Reserva 2006 custa R$ 399. E proporcionalmente, esta nem é a cerveja mais cara do lugar. A “Deus”, também belga e produzida em processo semelhante ao do champanhe Dom Pérignon, sai por R$ 240, só que a garrafa é de 750 ml. “E é uma cerveja que não pára na prateleira. Chega e vende. Teve um cliente aqui que sentou em uma dessas mesas bebeu quatro garrafas e ainda levou duas para casa”, conta Paiva. Por coincidência, no dia em que a reportagem do G1 foi até a padaria, a “Deus” estava em falta. “Nosso estoque acabou.”

Analogia com vinho

Veterano na venda de cervejas sofisticadas, o Frangó, na Zona Norte de São Paulo, atua na área muito antes da expressão “carta de cervejas” cair na boca do público. Desde 1987, a casa trabalha com uma diversidade hoje chega a 215 rótulos. A mais cara sai por R$ 181,20. Cássio Piccolo, na casa desde a abertura, acredita que está ocorrendo com a cerveja o mesmo que há alguns anos aconteceu com o vinho no Brasil.

“Antes as pessoas não conheciam vinho. O garçom chegava com uma garrafa, servia e as pessoas bebiam. Aí começou a aparecer confraria, sommelier. Hoje as pessoas conhecem vinho” conta Piccolo. Prova da tendência, o bar emprega atualmente um "beer sommelier" (especialista em degustação de cerveja) e realiza cerca de onze menus de degustação da bebida com seis rótulos distintos em cada menu.

Fonte: G1, por Patrícia Araújo - 18/02/2008

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