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O polêmico selo de proteção usado nas latinhas de cerveja vai chegar à quarta maior marca do mercado: a Nova Schin, principal rótulo da Schincariol. A cervejaria escolheu o Nordeste, onde tem presença mais forte do que no resto do país e chega a ter a liderança em algumas cidades, para iniciar a produção das latas com lacre. As vendas na região começam após o carnaval e a previsão é que entre o final do primeiro semestre e começo do segundo, o produto já esteja em todo o Brasil.

Até agora, apenas a Nobel, adquirida pela Schincariol no ano passado, e as marcas da cervejaria Petrópolis (Itaipava e Crystal e Lokal) tinham o selo de alumínio, mas com a adesão de Nova Schin o volume de latas com o invólucro praticamente dobra. E esquenta anda mais a disputa entre as cervejarias, já que o selo foi a grande polêmica do mercado nesse verão.

O Sindicerv (Sindicato das Indústrias de Cerveja), que tem como associados AmBev, Femsa e Cerpa, lançou, no final do ano passado, uma campanha de TV e mídia impressa, alertando os consumidores sobre supostos problemas de contaminação das latas cobertas com o lacre. O material veiculado baseia-se em estudo do Centro de Tecnologia da Embalagem (CETEA), da Unicamp, encomendado pela líder de mercado AmBev.

A Petrópolis entrou na Justiça e, depois de três dias, conseguiu uma liminar impedindo veiculação da campanha. A juíza da 34ª Vara Cível considerou haver dúvida sobre a exatidão científica da afirmação de que os selos contribuem para a contaminação do produto ou da embalagem por bactérias ou coliformes fecais. A campanha também foi considerada concorrência desleal. O Sindicerv recorreu ao Tribunal de Justiça, mas o desembargador manteve a liminar. "Usaram um laudo falho, que fere a livre concorrência", diz Jaime Luis Tronco, gerente jurídico da Petrópolis.

Na campanha, o Sindicerv alertava para o "efeito estufa" criado pelo alumínio, que facilitaria a contaminação da lata. A Petrópolis também contestou formalmente o CETEA sobre o estudo e recebeu a seguinte resposta: "O estudo não avaliou se o selo contribuía ou não para a proliferação de bactéria." O instituto respondeu, ainda, que o texto utilizado na campanha não estava no laudo feito pelo CETEA.

O Sindicerv diz ter feito a campanha para frear as iniciativas de projetos de lei que pudessem tornar o selo obrigatório. Segundo Marcos Mesquita, presidente da entidade, há uma lista de mais de 50 projetos e no Paraná, chegou a ser decretada uma lei, mas o sindicato conseguiu provar sua inconstitucionalidade. "O selo é uma solução ineficiente", afirma Mesquita. "Ele pode transferir a aparente idéia de que a lata está limpa e não é verdade. Mesmo com selo a lata tem que ser lavada." Já há um projeto de lei, aprovado no Senado, que propõe frase de advertência nas latas - com ou sem selo - para que elas sejam limpas antes do uso. "Isso já ajuda bastante", diz Mesquita.

Nos bastidores da discussão, está o racha que houve no Sindicerv em 2006, quando um grupo de mais de cinco cervejarias, entre elas Schincariol e Petrópolis, saiu do Sindicerv e foi para a Abrabe, associação que reúne também fabricantes das chamadas bebidas quente, de maior teor alcoólico. "O Sindicerv não é isento e essa campanha foi prova clara disso", diz Marcel Sacco, diretor de marketing da Schincariol.

Quando a Schincariol comprou a Nobel, em junho de 2007, as latas da marca já tinham o selo. E, rapidamente, a nova dona percebeu que o invólucro fazia diferença. "Atestamos em pesquisas que é um atributo valorizado pelo consumidor", diz Sacco.

A empresa não revela, mas fará um investimento alto para selar as latinhas da Nova Schin. Calcula-se no mercado que cada máquina custe cerca de R$ 800 mil e sejam necessárias pelo menos duas em cada enchedora (equipamento para encher as latas de cerveja) para acompanhar a velocidade de produção. A Schincariol tem 13 fábricas.

Sacco diz que o custo será absorvido e que não será repassado ao consumidor. "Acreditamos que vamos ter um aumento das vendas", diz ele, acrescentando que a expansão a todo o portfólio da Schincariol é um caminho natural.

Fonte: Jornal Valor Econômico – 06/02/2008

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