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Douradas, brilhantes, com espuma branca e abundante. Parece a descrição da “loura gelada”, companheira do dia-a-dia? As diferenças dela para as Pilsners da Boêmia (atual República Tcheca) e da Alemanha começam a ser sentidas pelo nariz e ficam mais evidentes na boca. Escolhi os dois estilos para o primeiro post “a valer” do blog justamente por estarem tão perto e ao mesmo tempo tão longe do que a maioria do planeta conhece hoje como cerveja.

Oficialmente, a Pilsen (ou Pilsner) nasceu na cidade homônima ­hoje parte da República Tcheca -, pelas mãos de um cervejeiro alemão, Josef Groll, em 1842. Ele reuniu fermento cervejeiro trazido da Bavária, a água da região, a variedade tcheca de lúpulo conhecida como Saaz e se aproveitou de avanços ingleses na produção de maltes claros para dar origem a uma cerveja dourada, amarga e de final seco. Hoje ela é conhecida como Pilsner Urquell, ou Pilsner Original. As Pilsners alemãs começaram a surgir por volta de 1870.

Há diferenças entre as duas variantes do estilo. As da Boêmia apresentam coloração dourada mais escura, aroma de malte (perceptível como pão ou biscoito), herbal (vindo do lúpulo). Seu amargor, embora seja notado com facilidade, fica em equilíbrio com o doce do malte. Já as versões alemãs costumam ser mais claras, apresentar notas florais de lúpulo, amargor dominante e final mais seco. Em comparação com a “loura gelada” ­ tecnicamente conhecida como Standard Lager ou Premium Lager -, há um aroma de malte mais destacado e um amargor positivamente mais presente. Existe um indicador técnico do amargo na cerveja conhecido como IBU (International Bitterness Units, ou Unidades Internacionais de Amargor). Na cerveja do dia-a-dia, ele fica em torno de oito a dez unidades. Nas Pilsners tradicionais, pode ser cinco vezes maior.

A quem acredita não gostar de amargor, deixo um conselho: não desista; o início pode ser difícil, mas a recompensa é valiosa. Lembro-me de quando tomei a primeira cerveja “amarga de verdade”, ao menos para meus padrões de época, há coisa de uma década atrás. Era uma Special Bitter inglesa, e pareceu intragável no primeiro gole. Mesmo assim, degustei-a até o final. As cervejas seguintes foram parecendo cada vez mais interessantes, o que me deu a impressão de que o gosto pelo amargor é algo que se adquire com o tempo e prática. A principal vantagem dele é que, quando aliado a um final seco, “chama” o próximo gole de cerveja, numa tentativa contínua (e extremamente prazerosa) de manter a boca irrigada. Hoje, tomo cervejas com amargor dez vezes superior ou mais em relação às “louras geladas”, e não raro acabo lembrado por colegas de que o que acabei de considerar uma potência média é, na verdade, bem alta.

Antes de iniciar as degustações do final de semana ­ ou “abrir os trabalhos”, no bordão bastante repetido por cervejeiros -, outro conselho. O copo ideal para as Pilsners não é a caldereta, mas sim a tulipa, aquela que lembra um triângulo de ponta-cabeça e tem um pé. O formato ajuda na retenção de espuma e desacelera o aquecimento da cerveja, já que a mão de quem a toma fica mais longe do líquido.

Há, além das originais, versões brasileiras do estilo Pilsner que merecem ser degustadas, por sofrerem menos com o transporte e armazenamento do que as estrangeiras. Eis algumas opções para alegrar bastante o final de semana dos leitores ­ certamente tornarão o meu bem mais interessante, já que serei obrigado a tomar todas após a sessão de fotos. É um serviço árduo, mas alguém precisa fazê-lo, sempre digo…

PILSENS ALEMÃS

PILSENS DA BOÊMIA

 

Fonte: Veja São Paulo, por Bob Fonseca - 21/02/2014

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