Acessar Registrar

Acesse sua conta de usuário

Nome de usuário *
Senha *
Lembrar de mim

Criar uma conta

Todos os campos marcados com asterisco (*) são obrigatórios.
Nome *
Nome de usuário *
Senha *
Verificar senha *
Email *
Verifar email *
Captcha *

A combinação entre processo de produção, sabor suave e aroma neutro foi a chave para a cerveja pilsen conquistar o planeta

gettyimages 467650213

(Justin Sullivan/Getty Images)

Em países como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Bélgica e Inglaterra – os três últimos têm uma tradição cervejeira milenar –, as marcas de cerveja mais vendidas são as pilsen.

Não à toa, esse estilo da bebida é o mais consumido no mundo: o líquido é claro, leve, límpido e refrescante. Ou seja, é possível beber mais sem ficar bêbado rapidamente.

Mas é importante ressaltar: a pilsen precisa cumprir alguns requisitos básicos para entrar nesta categoria.

Por via de regra, não há nenhuma legislação que defina o que pode ou não ser chamado de Pilsen, porém o mundo cervejeiro segue dois grandes guias para definir as características dos estilos de cerveja: o Beer Judge Certification Program e o Brewers Association, que definem que uma Pilsen não pode conter nenhum tipo de adjunto que não seja água, malte de cevada e lúpulo.

Porém fora âmbito dos especialistas e das competições, diversas cervejas que não seguem estes requisitos são chamadas de Pilsen, inclusive diversos rótulos brasileiros que utilizam outros adjuntos em sua produção.

Para diferenciar as verdadeiras Pilsen das tradicionalmente chamadas desta maneira, a mestre cervejeira pelo Siebel Institute (USA), Doemens Academy (Alemanha) e uma das fundadoras do Instituto da Cerveja Brasil, Kathia Zanatta explica como é possível diferencia-las. “O principal fator a ser levado em questão é o amargor, chamado no mundo da cerveja de IBU (Internacional Bitterness Unity). As Pilsen que seguem as receitas tradicionais tem cerca de 30 a 40 IBU, enquanto as Pilsen brasileiras giram em torno de 8 IBU. Além disso, é preciso destacar também que as Pilsen verdadeiras tem forte aroma de lúpulo enquanto as brasileiras tem odor mais neutro. Por utilizarem adjuntos como milho e arroz, as Pilsen brasileiras se assemelham mais as American Lager, variedade que prevê o uso destes adjuntos em sua composição.”

História cervejeira

 

A cerveja pilsen ganhou a preferência mundial no fim do século 19, época em que o padrão de consumo de cerveja passava por mudanças radicais.

Até o século anterior, todas as cervejas eram escuras e encorpadas. Os bebedores, em geral da classe trabalhadora, as consideravam um alimento, como uma sopa.

“As cervejas arcaicas eram ácidas e pesadas. Por falta de tecnologia na hora da produção, os processos antigos de fermentação traziam corpos estranhos à bebida. Por isso, a alternativa da época era misturar cerveja com frutas e mel, para melhorar um pouco o sabor”, explica o mestre cervejeiro Luciano Horn

No início do século 19, surge na Inglaterra a pale ale, estilo considerado o precursor da pilsen por causa de algumas características em comum. 

Uma delas é o malte mais claro, que pôde ser criado devido às inovações tecnológicas daquela época: a secagem indireta em fornos de coca (um subproduto do carvão mineral) não torrava nem queimava o cereal. Com o novo processo, o malte de torra clara proporcionou leveza para a bebida.

gettyimages 467650213

Malte em forma de mosto: processo fundamental para a criação da cerveja (Chris Ratcliffe/Getty Images)

Muito mais leve, amarga e refrescante do que outras cervejas da época, a pale ale conquistou de imediato a elite inglesa, que passou a bebê-la em ocasiões sociais.

O amargor mais forte fez sucesso porque esse sabor já estava na moda: nas capitais europeias, o grande programa dos ricos era sair para beber chá ou café – duas novidades no século 19.

Outro instrumento crucial para a popularidade da cerveja foram as ferrovias, que já interligavam os principais pontos da Europa, transportando rapidamente pessoas, produtos e informação. Os moradores do velho continente, em especial os alemães, adoraram a novidade inglesa e tentaram replicá-la.

A serviço de uma cervejaria na cidade de Plzeň, na Boêmia (que hoje pertence à República Checa, mas era parte território germânico), o bávaro Joseph Groll criou em 1842 a cerveja clara, leve e refrescante – mas com o fermento lager, tipicamente alemão. Por causa da cidade natal, o estilo foi chamado pilsen, pilsner ou pils.

A chave da criação foi o fermento lager, resultado de uma série de processos de melhoria. A partir dele, era possível ter um outro tipo de fermentação, mais sensível por conta do controle de temperatura.

Diferente da fermentação ale (sinônimo para alta fermentação), a lager não suporta altas temperaturas, mas em contrapartida garante sabor mais neutro e menos aromático à bebida, tornando-a ideal para ser consumida em grandes quantidades.

Foi através da utilização do processo de secagem indireta e do uso do fermento lager que a pilsen se tornou possível e popular – por ser mais industrializada, sua fabricação é menos onerosa (em grandes quantidades) e pode ser replicada em praticamente qualquer lugar do mundo.

Fonte: VIP – 09/08/2017

guia fornecedores