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Fundada por imigrantes germânicos, a indústria da cerveja do Brasil e dos EUA já nasceu usando o milho. Abundante no continente americano, o cereal foi a solução para deixar a bebida como os cervejeiros queriam: leve, clara e deliciosa 

O uso do milho na fabricação de cerveja não é uma invenção das grandes cervejarias para reduzir custos, ao contrário do que clamam alguns dos defensores do puro malte. Nativo do continente americano, o cereal sempre esteve presente nas receitas cervejeiras do Brasil e dos Estados Unidos. E o motivo de seu uso não é apenas a disponibilidade (era muito difícil obter malte de cevada até o fim do século 19). O milho foi introduzido nas cervejas modernas – por imigrantes alemães, veja só – para reproduzir a leveza da pilsen europeia. Conheça a seguir um pouco da história do milho na cerveja das Américas.

Cerveja na América Pré-Colombiana

5.000 AC
Povos nativos do Altiplano Andino já produziam a chicha, cerveja ácida de milho que ainda hoje é consumida no Peru e na Bolívia. A estimativa é do arqueólogo americano Patrick McGovern¹, da Universidade da Pensilvânia. Ele baseia o cálculo na idade de peças de cerâmica encontradas em sítios arqueológicos nos Andes peruanos – os vasos, porém, não foram submetidos a análise química para detectar resíduos de bebida.

1492
A expedição de Cristóvão Colombo chega ao Caribe. Na época, a chicha era largamente consumida pela população do Império Inca. No Brasil, os povos indígenas produziam uma bebida semelhante, chamada cauim, que poderia ser feita com milho ou mandioca.

O período colonial

Séculos 17 e 18
Os primeiros colonos ingleses a ocupar a América do Norte se empenharam de imediato em buscar uma forma de produzir cerveja. Na ausência de malte de cevada – o processo era muito complexo para as precárias condições da colônia² –, os pioneiros lançaram mão de diversos substitutos. O milho, cereal abundante na região, foi uma escolha óbvia. “A história do milho é a história da cerveja americana”, afirma o jornalista William Bostwick no livro The Brewer’s Tale – A History of the World According to Beer (“O Conto do Cervejeiro – Uma História do Mundo Segundo a Cerveja”)³. “De fato, o milho foi usado na cerveja desde o início da colonização inglesa”, escreve a arqueóloga americana Lisa Grimm, da University College London, no site Serious Eats⁴.

Além do milho, os colonos ingleses faziam cervejas com ingredientes pouco convencionais, como abóbora, caqui, melaço, sassafrás e broto de pinheiro².

No Brasil colonial, a produção de cerveja era proibida para evitar competição com o vinho importado de Portugal. A cachaça tornou-se a bebida mais popular do país nesse período.
O milho e a cerveja industrial americana

Século 19
Os imigrantes alemães que chegaram em massa aos EUA na segunda metade do século já tinham como referência a cerveja pilsen – que surgiu em 1842 na Boêmia (hoje território Checo) e conquistou a Europa de imediato.
Para reproduzir esse estilo de cerveja – claro, límpido e refrescante –, esses imigrantes recorreram ao malte da cevada cultivada no meio-oeste dos EUA. O cereal, porém, era de uma variedade diferente da cevada europeia. Com maior teor proteico, a cevada americana resultava em uma cerveja turva, encorpada e pesada – exatamente o oposto do que se buscava.

1868
Anton Schwartz, um imigrante da Boêmia que se fixou Nova York para editar a revista American Brewer (“Cervejeiro Americano”) publicou um artigo que mudaria a história da cerveja no mundo. Em Brewing with Raw Cereals (“Fazendo Cerveja com Cereais Crus”), ele propôs o uso do milho para deixar a cerveja mais leve, clara e gostosa de beber. Os maiores cervejeiros dos EUA, todos de origem germânica, adotaram sem hesitar o conselho do jornalista. Nascia a pilsen americana, tipo de cerveja mais popular no mundo até hoje.

O Brasil independente


Século 19
Uma grande leva de imigrantes alemães chegam ao Brasil e outros países americanos, como Estados Unidos, Argentina e Chile. Sem a restrição da Lei da Pureza da Baviera, esses estrangeiros passam a fazer cerveja usando milho. Abaixo, alguns excertos de documentos oficiais da época⁵.

1852
“20 de maio de 1852: o suíço Gabriel Albrecht Schmalz (...) decide dar início à primeira cervejaria que se tem notícia em Joinville, SC. Como não se produzisse cevada na região, era utilizado milho na fabricação da cerveja”

1861
“Sebastian Kunz instala a fábrica de cerveja São Pedro, a primeira cervejaria da Província de Minas, na Colônia São Pedro (atual Juiz de Fora), utilizando milho como matéria-prima.”

1868
“Louis Bücher, cervejeiro natural de Wiesbaden, Alemanha, abre uma cervejaria na qual utiliza arroz, milho e outros cereais em vez de cevada, em São Paulo, SP.”

Séculos 19 e 20
Fundadas por imigrantes germânicos, as marcas de cerveja que viriam a se consolidar como as maiores do Brasil – Bohemia (Petrópolis, 1843), Antarctica (São Paulo, 1885) e Brahma (Rio de Janeiro, 1888) – já usavam milho em suas receitas originais.

Fonte: Loures Consultoria, extraído de Minuto Nordeste – 30/06/2017

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