Acessar Registrar

Acesse sua conta de usuário

Nome de usuário *
Senha *
Lembrar de mim

Criar uma conta

Todos os campos marcados com asterisco (*) são obrigatórios.
Nome *
Nome de usuário *
Senha *
Verificar senha *
Email *
Verifar email *
Captcha *

Dois pesquisadores gaúchos estudam as propriedades do lúpulo no tratamento de doenças gengivais

Biólogo Glauco Caon e dentista Eduardo Gaio estudam as propriedades do lúpulo

Biólogo Glauco Caon e dentista Eduardo Gaio estudam as propriedades do lúpulo. Tadeu Vilani / Agencia RBS

Uma pesquisa realizada por dois professores gaúchos descobriu os benefícios do lúpulo, um dos componentes da cerveja, para a saúde. O biólogo Glauco Caon e o dentista Eduardo Gaio comprovaram que substâncias antioxidantes presentes na planta têm capacidade de combater doenças gengivais, como a periodontite, inflamação que destrói o tecido ósseo que está ao redor dos dentes. 

O resultado prático do estudo, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em parceria com a Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pode aparecer em breve, com a fabricação de produtos como pasta de dente e enxaguante bucais a partir de lúpulo. 

Glauco, que também é proprietário da cervejaria Anner, de Porto Alegre, iniciou em 2012 o pós-doutorado no Departamento de Bioquímica UFRGS, tendo como objetivo de pesquisa investigar a ação antioxidante do lúpulo. Eduardo, por sua vez, analisava os benefícios da cerveja e a relação com inflamações gengivais em pós-doutorado sanduíche em Michigan. Os dois uniram esforços.

Em laboratório, os cientistas fizeram experimentos com quatro grupos de ratos: o primeiro ingeriu cerveja do tipo IPA (com alta concentração de lúpulo), o segundo bebeu Pilsen (menor quantidade de lúpulo), o terceiro consumiu apenas álcool diluído a 6,7% (a mesma concentração das cervejas) e o quarto, água.  

— A gente induziu esses animais a doenças gengivais, como o acúmulo de bactérias sobre a superfície do dente. Isso leva a inflamação gengival e a destruição de tecido ósseo, que pode culminar na perda do dente — explica Eduardo.

A conclusão foi que ratos que ingeriram cerveja do tipo IPA tiveram menor perda de tecido ósseo. O grupo que tomou Pilsen também apresentou redução, mas com menos regularidade. Os ratos que tomaram álcool e água tiveram importante destruição de tecido ósseo.

— A gente viu que tinha um baita trabalho na mão, mostrando que a cerveja tem um efeito benéfico sobre inflamação. Além disso, a gente consegue ver claramente que o lúpulo era responsável por essas alterações. Ainda não sabemos se o efeito é tópico (a bebida apenas passando pela gengiva), se o animal engole o líquido e existe efeito sistêmico, ou se há sinergia entre os dois. Mas o fato é que existe um efeito benéfico do lúpulo sobre diferentes marcadores moleculares responsáveis pelo controle da inflamação na gengiva desses animais — salienta Eduardo.

Para dirimir essas dúvidas, ao longo do ano os pesquisadores querem fazer novos testes, implantando uma pasta mucoadesiva na mucosa dos ratos para saber se os efeitos se deram apenas pelo contato da cerveja com a gengiva dos animais ou se pela ingestão. 

O estudo foi realizado em três centros: o Hospital de Clínicas de Porto Alegre sediou a parte experimental, com animais, na Faculdade de Odontologia da UFRGS houve a medição de tecido ósseo dos ratos, e, na Universidade de Michigan, foi feita a caracterização dos marcadores moleculares genéticos. 

Importância da ciência

A ideia de usar lúpulo para o desenvolvimento de produtos odontológicos foi patenteada pela dupla de professores no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Agora, eles pretendem transformar a pesquisa em produto a ser disponibilizada para o consumidor. Uma das tentativas será por meio do Programa Doutor Empreendedor, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), com participação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que visa a gerar oportunidades para doutores que querem empreender, levando conhecimento e tecnologias geradas na academia para o mercado. 

Os pesquisadores também acreditam que a ideia pode despertar o interesse de empresas do setor odontológico interessadas na iniciativa. Além de pasta de dente e enxaguante bucal, os professores visualizam a possibilidade de usar o lúpulo para produzir géis a serem utilizados no tratamento das doenças gengivais em consultórios odontológicos.

— Queremos mostrar a importância da ciência. Não há produto com valor agregado alto sem pesquisa. A ideia é transformar isso em negócio. É uma maneira inclusive de dar valor para o trabalho de pesquisa — diz Glauco.

 

Fonte: Gaúcha ZH – 09/03/2020

cervesia - rehab4alcoholism